segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Teatro polêmico... o mais delicioso!

Teatro sem polêmica é teatro sem graça. Assim eu encaro essa arte deliciosa. Quem seria Augusto Boal se ele não criasse um método e uma linguagem que mexesse nas feridas até mesmo da moderna Zurique, uma cidade considerada modelo? Quem seria Zé Celso se não incomodasse o ser mais “mente aberta” com seu teatro dionisíaco e antropofágico? Quem seria Nelson Rodrigues se não incomodasse as moralmente corretas famílias fluminenses com seu Álbum de Família?

Pra mim, ainda não existe argumento que me convença o contrário de que teatro sem polêmica não tem graça. Só acho completamente inválido, pra não dizer ridículo, como as pessoas deturpam essa questão da polêmica. Para alguns, polêmica é sinônimo de baixaria, e aí meus bons, a coisa fede, narizes se torcem, e o Teatro tem o mesmo reconhecimento que as gramas que eu perco no toilette todas as manhãs. Vira e mexe, nossa cidade nem se apercebe, mas nós das artes sabemos imediatamente pela time line de nossos twitters, facebooks, orkuts (alguém ainda usa?) e tudo mais, sobre alguma nova baixaria que acontece nos bastidores dos teatros, ou na rua mesmo – e tem uma categoria que ganha todas: as baixarias na internet.

Sabe aquela frase “aprenda a fazer uma limonada com seus limões”? Pois é, pode até não ser uma característica exclusiva do teatro de Manaus, mas temos um bocado de limonadas sendo feitas em olhos alheios, e sem açúcar. Mas nunca consigo passar um mês sem escutar uma nova baixaria rolando entre os fazedores de Teatro, e não consigo passar mais de dois meses sem que os nomes dos envolvidos não sejam os mesmos. De uma simples troca de farpa no facebooks da vida, a deselegantes baixarias e bate bocas em qualquer espaço que se tenha público o suficiente, tem certas horas que dá uma vontade de por de castigo e mandar se abraçar e pedir desculpas, que nem eu faço com meus alunos pequenos.

É uma chatice, simplesmente. E nem precisa sair procurando novidades, elas chegam aos seus ouvidos, quando não muito, olhos, e você fica sabendo.

Não é nem a baixaria que incomoda, e sim o ócio na Arte que isso gera. Deixa-se de produzir para voltar forças para a baixaria, o peteleco de um é considerado uma surra pelo outro. Uma brincadeirinha pode virar uma ofensa à Constituição da Etiqueta. Deixa-se de produzir Arte para produzir algo melhor que o outro, que arrase todos. Mas isso é tão entranhado no tutano, que ninguém se toca pra isso. E é natural vermos mentes brilhantes perdendo tempo, e é isso que me intriga.

Claro, todos nós somos artistas, temos um ego pra lá de sensível, mas é um exercício diário controlá-lo. Eu mesmo, às vezes fico me corroendo em saliva ácida pra não sair cacetando besteiras, quando não dá, não dá. Mas é um treino que vale à pena. Por isso meus bons, vamos nos focar um pouquinho que seja no que interessa, sem hipocrisias, sem perca de foco com coisas pequenas? Se é utópico mudar essa situação, ainda temos muitas décadas para descobrir, mas Manaus chega lá... ô se chega!

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