segunda-feira, 25 de março de 2013

O tempo precisa parar...

Eu queria ser mil e que o tempo parasse. Sim, queria que o tempo parasse. Eu queria que o tempo parasse por milhões de anos, e que durante os milhões de anos eu nunca morresse. Queria que durante esse tempo, tudo parasse. Como a pausa de um filme. Eu iria ler As Mil e Uma Noites, A Divina Comédia e a Odisseia. Leria todos os clássicos, todos os poemas, todos os romances, todos os tratados, todas as teorias, todas as pesquisas, todas as ciências, todas as artes e a vida contada na letra. Escreveria todos os contos dados a mim no virar de uma esquina, na volta que dei num parque, no descer da escada rolante depois de um filme no cinema, no êxtase da saída do Teatro. Escreveria a minha história, a história do outro e a história do mundo. Assistiria todos os filmes clássicos e os blockbusters também, por que não? Iria ler cada letra de cada biblioteca do mundo. Fazer um download mental de cada byte da terra. E depois de tudo isso, depois de estar plenamente inteirado de tudo, daria o play no tempo. Continuaria a vida. Abraçaria cada amigo como se fosse a primeira e última vez, mesmo sabendo que haveria tempo. Porque a vida é curta, curta até demais. E quando se aprende uma gota do mar que se pretendia, é tarde. É o fim. Queria respirar saber.

Vomitando Arco-Íris

(Post publicado no facebook no dia 16 de março de 2013)

Hoje me aconteceu uma coisa que me deixou, como diz meu amigo Ademir Oliveira, "vomitando arco-íris". Eu estava voltando da faculdade e, passando pela rua 10 de julho com a rua Ferreira Pena, me deparou com um trilho emergido do asfalto. Sim, um trilho! Um trilho de bonde, fazendo a curva da Ferreira Pena para a 10 de Julho no sentido do Teatro Amazonas.

Quase fui atropelado porque reduzi o passo no atravessar de rua pra entender o que era aquela barra de ferro brotada do chão, e um carro buzinou para que eu acelerasse o passo, ou ele passava por cima de mim. Continuei andando - claro, depois de olhar mais atentamente, só que do outro lado da rua - e fui olhando para as casas, prédios e tudo o mais daquela rua. E gente, por tantos fios, postes, árvores, etc. - por tudo isso, eu NUNCA percebi como aquele trechinho de rua é um trechinho de PURA HISTÓRIA.

Eu fiquei abobalhado por um instante. Um instante bem pequenininho. E eu senti - apesar de sempre ter achado isso - que Manaus AINDA é, de certo modo, simplesmente Manaus. Não estou sendo ufanista, não. Mas é inspirador. Me senti bem comigo mesmo, no sentido de me sentir bem porque sou dessa cidade e, apesar de ter plena consciência, pela primeira vez eu senti que sou parte de todo um contexto que poucos percebem; poucos gostam de ser, e por isso os demais fingem que não percebem, eu acho.

Enfim, fiquei "vomitando arco-íris".

SER POBRE TODO DIA É FODA!

(Post publicado no facebook  no dia 15 de março)

Hoje estou pra desabafos. Se sua preguiça tá matando, ignore o texto. Mas ontem eu saí pra faculdade usando uma daquelas camisas com frases divertidas. A camisa dizia: "Queria ficar pobre por um dia, porque todo dia é foda". Naturalmente é uma piada, e geralmente quem lê dá uma risadinha, só disfarça pra não parecer mal educado, mas eu até que incentivo que a pessoa ria da frase, e quem sabe, da situação. Eis que eu estava no ônibus e um carinha entrou e sentou-se na escada - porque não tinha lugar onde sentar, claro. E eu já estava bem pertinho de descer quando já estava me posicionando à porta. Eu vi que ele leu o que estava escrito, mas ele não riu!

Eu fiquei tão frustrado com isso. Ele não riu, mas concordou. Ele fez aquela expressão de quem concorda dolorosamente. Que gostaria de rir da situação, mas que sabe como é ser pobre TODO O DIA. E eu vi que ele estava seriamente abatido.

Me lembrei NO ATO da minha amiga Lucia Ramalho. Ela é médica, e tem quase 30 anos de profissão. Estávamos assistindo TV e passou uma notícia velha sobre o estado da Saúde Pública no Brasil. Eu perguntei a ela, que trabalhou em um monte de Hospitais Públicos, o que ela achava que precisava melhorar na Saúde Pública - calma, eu vou voltar ao assunto da camisa - e ela me deu a resposta mais inusitada, e aquela à qual eu nunca esperei ouvir.

Obviamente pensei em "Mais remédios", ou "Mais médicos". Mas ela disse: "Tem que dar emprego pra essa gente!". Eu fiquei sem entender absolutamente nada! Ela viu minha situação e explicou: "essa gente precisa ter emprego, salário digno. Comprar comida, legume, verdura, frutas, carne, grãos, água potável... Ter qualidade de vida. Manter-se sadio.". Ela contou que, em certo momento de sua carreira, teve de trabalhar numa Casa de Saúde num bairro cheio de palafitas. Ela me disse que já não levava mais dinheiro pro trabalho, pois cada visita em cada casa ela encontrava uma família que não tinha ABSOLUTAMENTE nada para comer, e sem jeito, ajudava ofertando um dinheiro que garantisse a janta deles. Só que ela começou a ficar sem dinheiro ajudando aquela gente!

FODA, NÉ? E eu, de frente para a porta do ônibus, vendo um tiozinho olhando pra minha camisa, pensei: puta que pariu, esse sabe como é ser pobre todo o dia. Sim, eu me permiti julgá-lo. Me permiti deduzir a vida dele. Mas também me permiti refletir. Aquele sujeito, provavelmente, chegaria em casa com uma única coisa de valor: a carteirinha cheia de créditos. Por aquele horário, por aquela roupa, por aquela pasta que ele segurava, eu tinha CERTEZA que ele tava procurando emprego. Eu tinha certeza que a coisa estava apertada. E eu tinha CERTEZA que ser pobre TODO DIA é muito, mas MUITO FODA.

Ateu não mais; crente, nunca!

(texto publicado no facebook no dia 3 de março de 2013)

Depois de ontem, "ateísmo" é uma palavra que me escapa do vocabulário. Alguém pode dizer "Que bom!", mas não, não é bom. Vou tentar explicar de uma maneira compreensível: é horrível você ver tudo o que você acredita, e tudo o que você NÃO acredita lhe escapar pelas mãos, por entre os dedos - todas suas ideias e compreensões se tornam cinzas e isso é aterrorizante (pra mim, pelo menos).

Você viver aquilo, estar ali no epicentro... todos os teus sentidos te provarem o contrário de tudo aquilo que sua razão construiu ao longo de sua vida inteira (no meu caso, é até curtinha), seus argumentos, suas palavras - nada contradiz os sentidos até então, e seu chão desaparece. Me deixei impressionar? Talvez. Mas tentar me convencer disso não está melhorando meu sono. É um colapso muito grande dentro da nossa cabeça encarar esse conflito, mas ele tem de ser encarado de qualquer maneira. Aí vem as opções fáceis: acreditar, ignorar... ou contestar - essa última, nada fácil.

Minha vida certamente não será vista como antes de ontem. E certamente amanhã eu verei muito diferente da forma assustadíssima com a qual estou percebendo as coisas agora. Quando sua fé, suprimida pela razão, é finalmente atiçada... talvez seja uma das maiores provas pelas quais a gente passa. Sem razão, sem lógica, sem explicação. Só é. E é? Vai saber.

Aos amigos, não se preocupem. Vocês ainda vão cruzar comigo em qualquer canto e vai ver o mesmo Iago, que só acredita vendo, experimentando e comprovando por A+B. Vou continuar duvidando da minha sombra, duvidando das opiniões... só que agora uma coisa não posso fazer: negar.

sexta-feira, 15 de março de 2013

ASSOMBRO!


Eu estava lendo um artigo num portal de notícias que, por um acaso, tinha uma foto do Pr. Silas Malafaia (parem de ler, porque sim, é sobre religião e sobre o Silas Malafaia) e aconteceu a coisa mais curiosíssima que eu pude presenciar. Eu tinha acabado de ler o artigo quando meu pai passou por mim na escrivaninha onde estava o computador e viu a dita foto. Ele tratou de perguntar sobre o que era, e foi logo palpitando, antes mesmo que eu pudesse responder do que se tratava o artigo: “É bem sobre o que ele falou do Papa Francisco”. À bem da verdade, eu nem sei se o Malafaia falou algo sobre o Papa Francisco. Disse que não, que se tratava de um processo que o pastor queria impor à Revista Forbes. Isso por conta de um outro artigo que a revista publicou, no qual constava a renda do Pastor e, antes mesmo que eu pudesse dizer sobre o que se tratava o artigo da Forbes, ele desatou defesas ao pastor, e a compará-lo com cantores, artistas e pessoas que não gostariam de ter suas rendas divulgadas.

No impasse do estresse, eu não segurei algumas alfinetadas e contra-argumentos. Mas, me toquei: “Péra aí, ele não leu o artigo! Ele nem sequer passou o olho pela chamada da publicação. Ele simplesmente viu uma foto!”. O tolo eu, que embarquei na discussão.

Mas aí fiquei tão assombrado, que jurava que meu medo poderia ser fatiado. Quantas e quantas pessoas que não sabem o LUCRO que o pastor Silas Malafaia possui em cima da fé? Quantos mais defendem esse homem sem nunca tê-lo visto, sem nunca tê-lo conhecido? Sim, ele é uma figura publica; sim, um líder religioso; logo, é absolutamente normal todos o conhecerem. Mas por isso mesmo não vejo motivos para se ocultar sua renda, ou se ofender com publicações acerca de si. Afinal, ele LUCRA com a renda, SIM. E não me digam que “ele é pastor, trabalha em guiar vidas, ele merece um salário” – afinal, ele tem 6 milhões. Eu faço Teatro, minha meta é ser um agente transformador do meio que vivo, e não tenho um puto pra um cigarro!

Mas o que me assombra, é esse fanatismo por um homem... Não por um deus, não pela fé... mas por um homem. Um homem de uma fé que, teoricamente, deveria pregar a defesa dos fracos e oprimidos, mas que hoje só prega a riqueza e prosperidade. Uma fé que oprime minorias de forma esmagadora. Que ofusca debates que deveriam ser muito mais relevantes dentro das Casas Legislativas nos níveis Federal, Estadual e Municipal – como: revolucionar a Educação; meios de melhorar o atendimento de Saúde; reforma agrária; definição de teto salarial aos professores do ensino público, etc.

E eu sinto que isso só tende a piorar! E eu moro com alguém que crê cegamente nas palavras de outrem, e que assume as opiniões de uma pessoa de saúde mental no mínimo duvidosa, que é a do Sr. Silas Malafaia. Esse mesmo senhor que nos últimos três anos persegue de forma quase inquisitora todas as possíveis reformas na Constituição que dê seguridade à minorias como a dos homossexuais – POR QUE NÃO INTERESSA SE DEUS AMA OU NÃO ELES, ELES EXISTEM, E MERECEM SEGURIDADE CONSTITUCIONAL!

E eu fico com muito mais medo, é do fato do Sr. Silas Malafaia não estar dentro dessas Casas Legislativas... PORQUE TEM GENTE MUITO PIOR LÁ DENTRO! Exemplo é o Marco Feliciano. Medo. Muito medo. Um verdadeiro assombro.

domingo, 3 de março de 2013

Ateu? Sei mais não...

Depois de ontem, "ateísmo" é uma palavra que me escapa do vocabulário. Alguém pode dizer "Que bom!", mas não, não é bom. Vou tentar explicar de uma maneira compreensível: é horrível você ver tudo o que você acredita, e tudo o que você NÃO acredita lhe escapar pelas mãos, por entre os dedos - todas suas ideias e compreensões se tornam cinzas e isso é aterrorizante (pra mim, pelo menos).

Você viver aquilo, estar ali no epicentro... todos os teus sentidos te provarem o contrário de tudo aquilo que sua razão construiu ao longo de sua vida inteira (no meu caso, é até curtinha), seus argumentos, suas palavras - nada contradiz os sentidos até então, e seu chão desaparece. Me deixei impressionar? Talvez. Mas tentar me convencer disso não está melhorando meu sono. É um colapso muito grande dentro da nossa cabeça encarar esse conflito, mas ele tem de ser encarado de qualquer maneira. Aí vem as opções fáceis: acreditar, ignorar... ou contestar - essa última, nada fácil. 

Minha vida certamente não será vista como antes de ontem. E certamente amanhã eu verei muito diferente da forma assustadíssima com a qual estou percebendo as coisas agora. Quando sua fé, suprimida pela razão, é finalmente atiçada... talvez seja uma das maiores provas pelas quais a gente passa. Sem razão, sem lógica, sem explicação. Só é. E é? Vai saber.

Aos amigos, não se preocupem. Vocês ainda vão cruzar comigo em qualquer canto e vai ver o mesmo Iago, que só acredita vendo, experimentando e comprovando por A+B. Vou continuar duvidando da minha sombra, duvidando das opiniões... só que agora uma coisa não posso fazer: negar.