Existe uma sequencia de acontecimentos, de experiências, de interpretações dos acontecimentos e das experiências, que levam a um resultado - bom ou ruim, sendo o ruim um resultado nulo ou negativo. Frederico apanhou do pai quando criança apenas por ver, sem querer, a irmã pelada. Frederico levou seu filho, Mateus, a um bordel quando este tinha 12 anos para transar com qualquer uma daquelas mulheres, a(s) que ele quisesse - não deu certo, Mateus tinha visto um amiguinho pelado na escola, no vestiario masculino e se encantou pelo mesmo sexo. Acabou apanhando do pai por não gostar de mulheres.
Mateus fugiu de casa para viver com um homem mais velho quando tinha 17 anos. Mateus foi abandonado pelo homem mais velho por outro mais jovem. Resultado de tudo: linearidade, ou não? O avô de Mateus tinha culpa?
José era um homem amável, adorava beber com os amigos. Não podia embebedarsse que já saia brigando com todos e batendo na esposa. Gregório, filho mais velho de José passou a bater na esposa cada vez que ela não fazia o que ele queria, terminando, geralmente, em estupro. Pedro tornou-se um viciado em crack, é filho de Gregório, e não suporta o ambiente familiar.
Quando se deve intervir? Quando não é tarde demais? E, principalmente, quando não é cedo demais? Sabe, esses dias vinha pensando nessas coisas. Estava observando como isso é comum, essa linearidade de acontecimentos que desencadeiam outros de forma igual, de experiências que se repetem nas gerações seguintes, de erros que se repetem, de crimes que ressurgem com novos personagens. Alivio-me com uma coisa: alguém, em algum momento, sob alguma circunstancia, vai intervir - só duvido que aconteça com essa sociedade capitalista e, naturalmente, individualista.
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