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| Rustic Duel. Por @MAUROASSOCIATI. Em: http://mauroassociati.deviantart.com/art/RUSTIC-DUEL-567309291 |
Calma, se o título te atraiu à esta leitura, fique advertido de que não se trata de uma coluna de fofoca, nem vamos falar de causos que a gente adora contar/escutar. Mas acredito que quem faz teatro em Manaus deve estar acostumado com as divisões, discordâncias, atritos... barracos. E como a comunidade artística em Manaus é pequena, o boato vai do ponto A ao ponto B com uma facilidade enorme - e nisto nos compadecemos, tomamos partido, formamos blocos, geramos pequenas Guerras Frias. Tudo dura um certo tempo, a história fica esquecida, e então o ciclo recomeça com outros indivíduos, outros contextos, mas sempre com a mesma jornada do herói.
Por que isso acontece? O primeiro motivo é que nós, seres humanos, temos a adorável tendência a formar grupos, e também grupos de grupos, e por aí vai. Essa foi uma importante estratégia de sobrevivência que permeou nossos antepassados e permitiu que chegássemos até aqui. Foi a capacidade de vivermos em grupos que permitiu a sobrevivência de nossa espécie (quer dizer, uma das estratégias).
Um estilo de vida solitária demanda uma quantidade de energia muito grande na natureza, pois além de dispensarmos uma quantidade incrível na tentativa de sobreviver (alimentar-se, dormir, etc.), é preciso depreender uma outra quantidade absurda de energia para sobreviver aos predadores, que em boa parte, caça em bandos. Sem alguém pra vigiar enquanto dorme, para dividir a tarefa de buscar alimento ou para se defender de outros predadores, seres solitários dificilmente conseguem uma longa sobrevivência na natureza, exceto se forem grandes predadores.
Um estilo de vida solitária demanda uma quantidade de energia muito grande na natureza, pois além de dispensarmos uma quantidade incrível na tentativa de sobreviver (alimentar-se, dormir, etc.), é preciso depreender uma outra quantidade absurda de energia para sobreviver aos predadores, que em boa parte, caça em bandos. Sem alguém pra vigiar enquanto dorme, para dividir a tarefa de buscar alimento ou para se defender de outros predadores, seres solitários dificilmente conseguem uma longa sobrevivência na natureza, exceto se forem grandes predadores.
Viver coletivamente permitiu que tarefas simples e complexas pudessem ser divididas, especializadas, complexadas. Se especializar em algo faz do indivíduo um ser difícil de substituir, e assim, os laços sociais se estreitam mais e mais, fortalecendo as relações. Mas, e quando dois grupos se encontram? Tiro, porrada e bomba?
Na natureza isso ocorre por uma questão de escassez alimentar, territorial, e outros fatores que permitem que uma determinada espécie sobreviva. Logo, os grupos só podem ter um número especifico de indivíduos, de modo que todos possam ser alimentados. Não é comum que espécies que possuem o costume de viver em bandos, ao atingir determinado numero populacional, cometem abandono, assassinato e outras estratégias que permitam a diminuição de sua população. A chamada armadilha mautusiana, proposta no século XVIII por Thomas Robert Malthus, previa que quanto maior a população, maiores as chances de que os recursos de tal população se tornassem escassos e, logo, inexistentes. Talvez porque ele vivera num tempo em que a produção agrícola dependesse do clima, da fertilidade natural do solo e das técnicas de colheita e plantio, essa ideia fizera sentido. Porém, esse quadro mudou quando conseguimos desenvolver técnicas de fertilização do solo, reaproveitamento de alimentos e modos de preservação do mesmo. Mas por que estamos falando dele?
No teatro, tanto em grandes centros (onde a concorrência entre grupos por recursos é alto), quanto longe deles (onde apesar do pequeno numero de grupos, os recursos são muito mais escassos), a concorrência não só se faz presente, como gera atritos. Se você quer gerar um grande atrito em sua comunidade artística, pegue a lista de aprovados em qualquer edital de captação de recursos de sua cidade, e jogue numa roda de conversa de bar onde todos sejam artistas. É preciso que todos tenham um autocontrole, ética e empatia muito fortes para não se ouvir os comentários mais bárbaros possíveis. E inevitavelmente, os boatos de uma noite inocente num bar voam, e não nos surpreende que haja fim de amizades.
Outro motivo que gera atritos de forma espetacular em comunidades artísticas se dá pela nossa capacidade de empatia! Formar grupos é uma aposta evolutiva que fizemos, e até hoje ainda é difícil não resistir e apostar. Quando dois indivíduos decidem viver em grupo, se dá pelo fato de que ambos tem interesses egoístas, e portanto, acreditam que podem tirar proveito um do outro. É um jogo de troca, em que ambos tem algo a oferecer, e muito pouco a perder.
Mas e por que há ajuda mútua quando aparentemente não se tem nada a ganhar? É neste momento que a aposta se torna mais alta. Isso se dá porque acreditamos que, no futuro, quando estivermos em uma situação tão grave quanto, aquele individuo que ajudamos no passado poderá ser útil no momento certo. É dessa maneira que nos simpatizamos quando dois indivíduos entram em conflito e nossa herança evolutiva grita, nos levando a tomar algum partido. Geralmente, apostamos em quem tem mais pontos de interesse para nós. Quando dois indivíduos dentro de um grupo teatral entram em conflito, não raramente o grupo se racha, gerando partidários de ambos os lados - e quem já viveu ou vive em grupo, sabe que esse é um evento traumático que requer muita calma e paciência para sobreviver.
No que, afinal de contas, isso é interessante HOJE: é exatamente nestes momentos de conflitos e adversidades que usamos a criatividade, ou seja, a capacidade de solucionar problemas; fazer desse quadro um propósito; o problema ocorre quando polarizamos e prejudicamos as demandas do quadro geral, fazendo dos conflitos e adversidades ambiente propício à uma violência sem propósito.
Iago Lunière - Eu não sei o que eu to fazendo aqui. Sério.
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Iago Lunière - Eu não sei o que eu to fazendo aqui. Sério.Referências (roubei daqui: https://www.youtube.com/watch?v=bSWMlMKlS0A )
- Experimento com a identificação de rostos de humanos e bonecos:http://goo.gl/pjb5ml
- Reação de conservadores e liberais ao observar imagens de diversas categorias:http://goo.gl/jWnNEd
- Relato de um americano que passou por alguns desses testes:http://goo.gl/3wjUcg
- Vídeo completo do eleitor do Aécio:https://goo.gl/KJVi2C
- "The experiment":http://www.imdb.com/title/tt0250258/

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