segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Fugir da responsabilidade do que cativamos é fácil...

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Mandei diversas vezes o Exupéry tomar no cu com essa frase. Mas não que, nessas vezes, dele eu discordasse. Mas é porque é uma verdade dura de se encarar. Ser eternamente responsável pelo que cativamos... Achava que cativar algo estava longe da nossa decisão. Ficava pensando... mas e se eu cativar um louco desconhecido, eu seria por ele responsável? Várias e várias vezes eu ficava pensando nisso. Até que cheguei a conclusão, hoje pela manhã, de que sim - sou responsável.

Hoje em dia, quando vou escrever pro blog, deixo o texto mais ou menos umas três semanas de molho nos rascunhos, afim de refletir se devo ou não postar aquele conteúdo. Sim, quase ninguém lê, mas ainda mantenho o ritual. Uma vez, postei um texto sobre política e religião, e alguns de meus argumentos cativaram os religiosos, que começaram a me citar indevidamente e afirmar coisas que não afirmei. Eu era, portanto, responsável por aquilo que cativei sem mesmo saber? Pensei que sim, e não pensei duas vezes em escrever um segundo texto - primeiro me retratando, em segundo, alertando de que eu estava sendo indevidamente citado. 

Exemplo bem banal. Mas que em parte demonstra como Exupéry teve sabedoria de dizer isso. Hoje em dia busco estar sempre mais atento à isso, percebendo que tenho responsabilidades com minhas atitudes e para com quem elas afetam. E jamais me eximo de tais responsabilidades...

Se um dia eu cativar um louco desconhecido, certamente, assumirei a responsabilidade de dizer a ele: amigo, não é bem assim...