Quando eu criei esse blog, nem sabia pra que ele serviria, ou melhor dizendo, sobre o assunto geral pelo qual ele iria servir. Habillée foi um presente que recebi de alguma entidade inspiradora. Lendo o blog da Cláudia Matarazzo, vi esse termo que deve ser lido "black tie", e me simpatizei. Pra quem não sabe o que é habillée ou black tie, são termos que definem o traje a ser usado em determinado evento e quer dizer, para os homens, a obrigatoriedade do uso do smoking completo.
A escolha do Habillée me abria diversas possibilidades. Primeiro, eu poderia falar do que mais gosto: Teatro. Em segundo, eu poderia falar das minhas experiências sociais, das relações humanas, da força que o social inflige ao ser e, nesse aspecto, podemos citar política, religião, ética, etiqueta, etc.
Esse é Habillée, mas até agora eu tratei apenas do Teatro. Cada vez que escrevia novo artigo falando de outro tema, se não o Teatro ou a Arte, eu pensei que estava além da minha alçada, que eu estava entrando em um Universo que não era do meu direito tratar sobre ele - e por isso, reservava os artigos para um momento oportuno. Queiram ou não, o Teatro é minha matéria de domínio, não que eu seja um mestre nisso - sou um iniciante, talvez nem isso e só um nada. Mas o Teatro é o meu Universo, é onde vivo: é nele que eu reflito, é ele que me dá vida e inspiração. Cada novo dia, cada novo ensinamento de alguns dos meus mestres, descubro que é no Teatro que devo sobreviver.
Mas agora não é sobre o Teatro que devo tratar. Agora o Habillée tratará daquilo pelo qual eu o nomeei. Dia 14 de abril foi realizada a festa de recepção dos calouros de Teatro da UEA, e foi sensacional. Certamente, uma festa que estará marcada nas nossas memórias e, no meu caso, estará marcada no corpo. Naquela festa, pude ver as relações humanas que se sucederam, e mais, as relações humanas de artistas, de pessoas desprendidas da moral dogmática da sociedade ocidental brasileira.
Apesar da grande diversão da festa, me senti muito incomodado com uma coisa que não dá pra passar despercebido: se divertir não lhe dá o direito de acabar com a diversão dos outros. Os organizadores, e entre eles eu me incluo, demos aos calouros um presente de coração, demos as boas vindas à essa nova vida, à esse universo que é o Teatro. E para que esse presente fosse perfeito, zelamos para que assim o fosse - nos esforçando dentro de todas as nossas capacidades.
Uma pessoa me provou que sempre temos de ter limites, e isso não é papo de conservador, é papo de pessoa com bom senso. Compartilhando no facebook, comentei: é natural todos passarmos, uma vez na vida, por um porre vergonhoso que acabe com nossa reputação. No entanto, limites existem e cada um deve respeitar o seu. Teimar em superá-los e fazer cagadas faraônicas já é uma baixaria que tolerar, é pra paciência de monge!
Quem nunca teve de lidar com bêbados chatos? Lidei com alguns, e com eles encontrei o meu limite, pois a sua vergonha me era alheia. Cada vez, conscientizo-me que libertar-se e extravasar é bom, mas destruir o pouco de reputação que se tem é, no mínimo, vergonhoso. Na minha função por zelar pela diversão de todos, inevitavelmente sacrifiquei um pouco a minha - mas não me arrependo - e tive de lidar com esses deselegantes seres bêbados. Pra finalizar, digo: cuidado para que, na sua diversão, no seu extravasar, não acabe com a diversão dos outros. Cuidado para não passar do seu limite, acarretando em problemas pra você - e aporrinhação para os outros.
Iago Lunière

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