Como de costume, estava me atualizando nas leituras de alguns blogs que aprecio, e vi numa coluna da Claudia Matarazzo algo sobre a deselegância dos que são pra baixo - aqueles de energia negativa pesadíssima, contagiante... deselegante. Desse mal eu sofro, tanto na questão achar deselegante e me afastar imediatamente de quem é pra baixo, como sou chatinho e miador de mazelas.
Sabe, tem duas coisas que eu não suporto: perguntarem como estou, e dizerem "vai passar, é só uma fase". Quando entro na minha deprê, me isolo do mundo, porque o mundo não precisa de mim assim, tem gente demais desse jeito. O mais chato, é voltar tendo de dar explicações, como se eu fosse um irresponsável, um vagabundo, ou algo parecido. Não sou. Primeiro, não preciso da atenção de quem não pode fazer absolutamente nada por mim. Segundo, odeio a piedade alheia. Terceiro, sou mais eu isolado me reerguendo de meus golpes, tratando meus ferimentos, do que dezenas de pessoas me tratando com mil dedos.
Fico me sentindo pior, quando vejo os olhares e os cochichos dizendo "ai, lá vem ele com seus murmúrios" e daí decretei: parei! Falso alto astral mode_on. É difícil, nem sempre convence, e sempre tem um amigo pra te desmentir, mas é bem melhor do que a chatice de ter um chato por perto. Sempre tem aquela pessoa maldita que te persegue, torcendo para que você dê-lhes um motivo para te infernizar, mesmo não sendo sua intenção. Quando você tá deprê, fica mais ainda por estar em ambiente que lhes é hostil, em meio a pessoas que lhes parecem hostis. Não, disso eu fujo. "Tou me sentindo mal" é o mais perto da verdade que digo as pessoas, e ainda forço uma tossezinha para acreditarem que é físico, e não emocional.
Nos últimos meses tem sido pior (desabafo), estou péééééssimo (pronto, falei). Nem o falso alto astral tem dado certo, então, fujam para as montanhas. A melhor coisa pra mim tem sido esse retiro, esse isolamento. "Cadê você?", "Ei, você sumiu!" já está cansativo de ouvir. Mas pior é ter de ouvir o maldito "vai passar, é só uma fase...". Não, não é uma fase. Não, não é normal. Normal é você dar uma topada na rua, é um pombo cagar na sua cabeça, é você pegar um resfriado de vez em quando. Fica a dica para aqueles que se preocupam comigo: obrigado pela sua preocupação, espero estar em suas orações. Mas por enquanto, até algum dia.
"Gramado de Ideia" é meu blog pra falar sobre algumas ideias que me assaltam, geralmente quando estou na varanda olhando pro gramado e pra árvore que fica de frente pra minha janela. Geralmente sobre Teatro e Arte, é esse gramado que me faz ter as epifanias mais malucas que quase nunca são escritas, pra não gerar provas de uma insanidade autoproclamada inteligente.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
domingo, 24 de junho de 2012
Nenhuma palavra diz algo, mas sim a vírgula
É muito importante saber que a mente não se estuda, é impossível estudar algo que é abstrato, invisível, não é palpável, nem se pode sentir por qualquer outro sentido, muito menos monitorável por qualquer ferramenta humana. O que se pode alcançar na busca da compreensão da mente, é o estudo do comportamento, que é resultado daquela. Daí o conceito da Psicologia: ciência que estuda a mente e o comportamento.
O comportamento aqui é uma definição generalizada, pode ser verbal, não-verbal, gestual, etc. Logo, desde a forma como o individuo dorme, de que forma acorda, o tom com que fala, a organização do seu discurso, o modo como anda ou cumprimenta alguém na rua... tudo pode dar pistas que possam definir a personalidade, a história de vida, a classe social, o nível cultural, sua origem, entre outras características de determinado individuo que podem, ou não, ter influenciado a construção de sua psique.
Freud encontra determinadas origens para determinados costumes de individuo na fase adulta (fase retal, fase da mama, etc); enquanto que Piaget define que a formação da psique parte da formação do cérebro, estando o individuo sujeito a algumas fases da vida (pré-operatório, operatório, etc) até que esteja plenamente formado; Vygotski já afirma que o ser humano é sujeito do seu contexto sócio-histórico (na fase fetal já é preparado para a língua utilizada pelos pais, a escola onde estudará determinará seu circulo social, o bairro onde mora determinará seus costumes, a religião de seu país ou de seus familiares terão peso maior na sua escolha religiosa, enfim).
A partir do comportamento podemos conhecer facetas da mente, estudá-la. Vendo um aluno meu, ano passado, pude perceber - pelo seu comportamento - que ele estava sofrendo problemas familiares, uma desconfiança comum, tendo em vista que sua relação com os demais alunos era satisfatória no inicio do curso e passou, gradativamente, a ser deficiente até o fim do primeiro semestre. O comportamento protecionista de seu irmão, algumas séries a frente dele, confirmava que esses problemas eram reais. A incomum empatia deste aluno com a coordenadora do projeto indicava a ausência fraternal da mãe. Resultado: buscando contato com a família dos dois alunos, verificou-se que a mãe havia abandonado o lar, e o pai, trabalhando constantemente para manter o sustento dos filhos, mantinha-se ausente na vida das duas crianças, sobrecarregando o filho mais velho com a responsabilidade paternal. Esse é só mais um exemplo dos vários que vivenciei - alunos com características psicopáticas, depressivas, etc.
Para o trabalho de ator, isso é fundamental. Acho que devo à arte teatral esse dom para discernir a partir do comportamento o estado mental de alguns indivíduos. A construção da personagem, do tom de voz, da personalidade, parte primeiro do estudo comportamental da personagem que o autor imprime no texto, partindo para um estudo psicológico para, só então, infligir as características que o ator acha importante para a sua construção da personagem. Isso também me ajudou na vida. Posso saber se um amigo está precisando da minha ajuda com um olhar - mintam para mim o quanto tentem. Falando nisso, posso pegar uma mentira no ar, porque nenhuma palavra, nenhuma informação diz algo, mas sim a vírgula, a organização do discurso. Uma vírgula no lugar errado, uma contradição no discurso, me faz sacar a mentira, o porque da mentira, e em alguns caso, a verdade - o olhar que não aceita fitar o meu, o punho que cerra involuntariamente, ou a pura tentativa de se interpretar uma sinceridade que sabe-se ser falsa.
Dificilmente me engano, por isso que as pessoas me chamam de antipático quando eu acabo de conhecer alguém e logo digo: não fui com a cara desse fulano. Por isso, costumo dizer: não tente me enganar, que é feio e Papai do Céu não gosta... Jesus adooooooora quem mente. Quando eu digo que é, dificilmente eu erro - chamem-me de arrogante quanto quiserem.
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