quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Na madrugada silenciosa....

O tempo do ócio: a madrugada vai a passos lentos no tempo, gerando uma eferverscência no peito que pede para criar. Aqui, no silêncio daqueles que dormem, matuto calmo nas minhas mais cruéis dúvidas e medos e penso que, sem a poesia, eu não poderia jamais abrir as asas da minha imaginação, e voar. Mas voar para bem longe dos meus medos e dúvidas, mesmo sabendo que para alçar voo, tenho de - indubitavelmente - encará-los, porque voar é, poeticamente, sinônimo de liberdade e tão logo, só se liberta de uma prisão quando forçamos as grades, quebramos as dobradiças, cavamos túneis e escapamos, deixando a prisão em nós somente na memória. Aliás, um medo arisco frequentemente me assalta: livrei-me do medo? Nesse ponto eu fico discutindo, e preciso adestrar-me a encontrar quem, gabaritado, tenha encontrado essa resposta, se é realmente possível livrar-se de medos. Por exemplo, penso corriqueiramente se, afirmando que não acredito em Deus, consigo escapar do inferno. Lembro-me da velha aposta: "Se Deus não existe, o padre perdeu toda a sua vida; se Deus existe, perdi minha eternidade"... Outro exemplo muito interessante, fico pensando se tomar múltiplas decisões me assegura de algum conforto posterior, ou se "um passarinho na mão é melhor que dois voando", e pensando bem, fico mais na dúvida ainda se o que vivo não basta, porque "o inimigo do bom, é o ótimo"...

Na Madrugada, o tempo passa lento, efervescendo dentro da gente (seres noturnos) um sentimento de criar. Tenho medo, e isso pra mim é claro, que nessa efervescência, não gero mais medos - principalmente, o de não poder voar.

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