domingo, 19 de fevereiro de 2012

A Saga realmente concluirá?


Sabe, eu amo o Batman, não tanto como o Coringa - e não por causa do Heath Ledger, mais por causa do Jack Nicholson...  Estou ansiosíssimo para ver o próximo filme, mas acho chato que não termine em uma luta contra o Coringa... Se Ledger tivesse de ser substituído, meu palpite seria o Tommy Lee Jones, o Joseph Gordon-Levitt... que não gerariam tanto impacto de diferença... Mas enfim, uma pena que Ledger nos deixou...

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Esperando ansiosíssimo: The Hobbit.


Esperando ansiosíssimo! Li de novo esses dias, mas se demorar mais um pouco, lerei NOVAMENTE! E ainda mais agora que eu sei o ritmo da música de Thorin, que narra a invasão de Smaug à Montanha Solitária...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Teatro polêmico... o mais delicioso!

Teatro sem polêmica é teatro sem graça. Assim eu encaro essa arte deliciosa. Quem seria Augusto Boal se ele não criasse um método e uma linguagem que mexesse nas feridas até mesmo da moderna Zurique, uma cidade considerada modelo? Quem seria Zé Celso se não incomodasse o ser mais “mente aberta” com seu teatro dionisíaco e antropofágico? Quem seria Nelson Rodrigues se não incomodasse as moralmente corretas famílias fluminenses com seu Álbum de Família?

Pra mim, ainda não existe argumento que me convença o contrário de que teatro sem polêmica não tem graça. Só acho completamente inválido, pra não dizer ridículo, como as pessoas deturpam essa questão da polêmica. Para alguns, polêmica é sinônimo de baixaria, e aí meus bons, a coisa fede, narizes se torcem, e o Teatro tem o mesmo reconhecimento que as gramas que eu perco no toilette todas as manhãs. Vira e mexe, nossa cidade nem se apercebe, mas nós das artes sabemos imediatamente pela time line de nossos twitters, facebooks, orkuts (alguém ainda usa?) e tudo mais, sobre alguma nova baixaria que acontece nos bastidores dos teatros, ou na rua mesmo – e tem uma categoria que ganha todas: as baixarias na internet.

Sabe aquela frase “aprenda a fazer uma limonada com seus limões”? Pois é, pode até não ser uma característica exclusiva do teatro de Manaus, mas temos um bocado de limonadas sendo feitas em olhos alheios, e sem açúcar. Mas nunca consigo passar um mês sem escutar uma nova baixaria rolando entre os fazedores de Teatro, e não consigo passar mais de dois meses sem que os nomes dos envolvidos não sejam os mesmos. De uma simples troca de farpa no facebooks da vida, a deselegantes baixarias e bate bocas em qualquer espaço que se tenha público o suficiente, tem certas horas que dá uma vontade de por de castigo e mandar se abraçar e pedir desculpas, que nem eu faço com meus alunos pequenos.

É uma chatice, simplesmente. E nem precisa sair procurando novidades, elas chegam aos seus ouvidos, quando não muito, olhos, e você fica sabendo.

Não é nem a baixaria que incomoda, e sim o ócio na Arte que isso gera. Deixa-se de produzir para voltar forças para a baixaria, o peteleco de um é considerado uma surra pelo outro. Uma brincadeirinha pode virar uma ofensa à Constituição da Etiqueta. Deixa-se de produzir Arte para produzir algo melhor que o outro, que arrase todos. Mas isso é tão entranhado no tutano, que ninguém se toca pra isso. E é natural vermos mentes brilhantes perdendo tempo, e é isso que me intriga.

Claro, todos nós somos artistas, temos um ego pra lá de sensível, mas é um exercício diário controlá-lo. Eu mesmo, às vezes fico me corroendo em saliva ácida pra não sair cacetando besteiras, quando não dá, não dá. Mas é um treino que vale à pena. Por isso meus bons, vamos nos focar um pouquinho que seja no que interessa, sem hipocrisias, sem perca de foco com coisas pequenas? Se é utópico mudar essa situação, ainda temos muitas décadas para descobrir, mas Manaus chega lá... ô se chega!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Atualizações

Bem, postei seguidamente alguns dos meus textos. Tem outros, de outros blogs, ou sites, mas vou postando com o tempo.

A menina que aprendeu o que é Injustiça...

Hoje foi o dia em que optei, oficialmente, pela licenciatura e, nas minhas dúvidas se era esse o caminho que eu gostaria de seguir, tive as mais sublimes provas que era isso o que eu deveria fazer. Acordei e fui visitar a Lúcia Ramalho, limpei o pátio dela como de costume e fumei um cigarro, pensando que estava prestes a oficializar uma caminhada nova na minha vida. Visitei meu pai, e o vi na cozinha preparando alguma coisa ao qual não prestei atenção. Dei carinho aos meus cães e, em cada singelo momento como estes, ficava pensando no que estava prestes à acontecer. Tomei um ônibus e tive um dos maiores aprendizados que já pude presenciar.

Em determinado ponto do trajeto daquele ônibus, todos os acentos já estavam ocupados, à exceção de três, que eram os preferenciais. Vi, antes de o ônibus fazer a curva, uma senhora correndo para chegar ao ponto de ônibus antes que passássemos por lá, e carregava um menino, que devia ter não mais que cinco anos de idade, e puxava com a outra mão uma menina que não devia ter mais que sete anos. O motorista, muito gentil, parou e abriu a porta, tornando desnecessária a corrida. A menina, astuta, tomou a frente da mãe e entrou ligeira, perscrutando imediatamente todo o ônibus atrás de seu preferido assento próximo à janela. Ela viu os três assentos livres, um próximo à janela e outros dois no corredor. Sentou-se perto da janela contente, como se tivesse feito a maior conquista de sua vida.

Quando seu irmão viu aquilo, começou a insinuar um choro, fazendo birra e querendo sentar-se à janela. A mãe, com um ar repreensivo, mandou que a menina cede-se o lugar ao irmão, e esta, com um carinha triste que deixava o meu coração miúdo, ficou no corredor, em pé, enquanto a mãe sentava-se ao lado de seu irmãozinho. Fiquei curioso, pelo fato da menina não derramar uma lágrima. Via-se que ela estava terrivelmente triste, tiraram-lhe sua conquista, sua maior conquista – queria chorar, eu via isso, mas ela não se permitiu. Pensei naquele momento: “essa criança acaba de descobrir que no mundo existe injustiça”, e fiquei triste por isso. Havia ainda um acento do lado do corredor, e no banco ao lado, sentada estava uma senhora de avançada idade. Esta senhora, com as mãos frágeis tocou o ombro da menininha, afastou-se para o acento próximo ao corredor, e ofereceu-lhes o acento que antes ocupava, próximo à janela, e mais alto que o acento que sua mãe e o irmão ocupavam.

Meu coração ficou leve, contente. Pensei: “Agora ela sabe, que apesar das injustiças, existem recompensas pelos nossos esforços, tardios ou não”. A menina, virou-se para a senhora e agradeceu-lhe, como se tivesse ganhado um lindo presente, e aí entendi: “A menina está aprendendo, que apesar de existir injustiças no mundo, existe a gentileza e a solidariedade”.

Essa história parece não ter muito haver com o fato de ter-me decidido por educar, mas ali, eu percebi, que crianças aprendem a toda hora, e que ela precisava entender, que o que ela passou com o irmão tinha um nome conceitual, chamado Injustiça, e que o ato daquela senhora bondosa, se chamava Gentileza. Aquela garotinha precisava de alguém para dizer-lhe que ela aprendeu, na prática, que ela nunca deve desistir do que quer, que ela era a garota mais inteligente do mundo em ter descoberto, sozinha, que podia conseguir o que tanto queria pensando de forma inteligente, e correndo na frente para ser a primeira.

Minhas dúvidas se dissiparam naquele acento de ônibus, fui a viagem inteira olhando para a menininha contente, que via a cidade, que olhava para as árvores, que sentia o vento frio de um dia nublado no rosto, que saboreava os sons, as pessoas nas calçadas, descobrindo um mundo completamente novo. Fui, fiz minha opção de modalidade para Licenciatura, e sai sem peso algum na consciência de que o que eu estava fazendo, era obedecendo um chamado, uma missão. Nunca me esquecerei do rosto daquela menininha que se negou a chorar, mas que encarou a injustiça que lhes impuseram.

Amigos eternos! Eles e os filhos...

Sabe aqueles amigos que a gente vai no funeral deles quando estivermos bem velinhos, ou vice-versa, de quem for primeiro? Ou aqueles amigos que por acaso entraram na nossa vida e se tornaram mais que irmãos? Eu e Bárbara ficamos nessa, caducando, imaginando nomes dos nossos filhos, quantos queremos, de que sexo... Daí saiu essa história...

‎... dedico à Camille e August Gutierres, Dante Sandim e às quatro crianças que, se Deus não me der, eu as adotarei: Hector, Sarah, Alice e Nicolas Lunière...

"Camille, August, Sarah, Hector, Alice, Nicolas e Dante eram seis crianças adoráveis. Na verdade, Hector e Dante tem quase a mesma idade, já adolescentes e voz firme. Camille e Sarah também tem quase a mesma idade, e entrando na puberdade. Alice, Nicolas e August, são o trio aventureiro, os pequenos da casa. August não paravam de pular no banco de trás do carro, pedindo pro pai, Paulo, acelerar mais um pouco para chegarem um pouco mais rápido na casa do tio Iago. Bárbara Gutierres fez logo cara feia, desaprovando, e o papai teve logo de desapontar o filhote... Camille, com o seu fone no ouvido, via a paisagem perdida nos seus pensamentos. August fazia umas perguntas que deixavam Bárbara desconcertada: por que a chuva cai em gotas e não de uma vez? De onde vem os bebês?

No destino, Iago preparava seu famoso empadão de carne moída que as crianças tanto adoravam e, enquanto isso, na sala, Alice e Nicolas brincavam com seus brinquedos, vire e mexe entrando numa briguinha. Sarah ajudava a mãe a se arrumar, e estava ansiosa por ver sua amiguinha Camille.

Hector lia um livro na cama de cima do beliche, no quarto dos meninos. Lia sua obra favorita, aquela que o seu pai lia para ele dormir, quando tinha idade de August e de Nicolas: O Senhor dos Anéis. Um carro parou na frente da casa de Iago, uma buzina soou. Alice e Nicolas correram para encontrar August e convidá-lo pra uma brincadeira nova que o pai tinha inventado, algo haver com jogos teatrais, ou coisa parecida. Bárbara saiu nervosa com a pressa dos meninos, pedindo para não correrem e não se machucarem.

As crianças se divertiam pelo quintal. Camille e Sarah ficavam no quarto das meninas, conversando, e Hector saia do quarto para perguntar do pai se estava pronta a comida, e cumprimentar a madrinha. O padrinho de Hector chegou, já embaralhando o UNO numa só mão. Hector cumprimenta o dindo, cantando vitória antes do tempo, e apostando dinheiro para ver quem ganha. Patricia, vem logo atrás do marido, com Dante. Dante e Hector trocam uns cumprimentos jovens que ninguém entende, mas acha ridículo. Os mais velhos, e os adolescentes intrusos, se enroscam em torno da mesa e começam a jogar. De vez em quando, são atrapalhados por crianças choronas que ralaram o joelho, ou que brigaram... Camille e Sarah ficaram com a pior parte: vigiar as crianças. Os adultos tomam vinho, cerveja, coca-cola... A pizza chega, o empadão é servido, os meninos vão pro quarto para que Hector mostre a foto da namorada (o), Dante ri igualzinho o pai. Bárbara dá a comida de August, Iago a de Nicolas – Alice já come independente."

Na madrugada silenciosa....

O tempo do ócio: a madrugada vai a passos lentos no tempo, gerando uma eferverscência no peito que pede para criar. Aqui, no silêncio daqueles que dormem, matuto calmo nas minhas mais cruéis dúvidas e medos e penso que, sem a poesia, eu não poderia jamais abrir as asas da minha imaginação, e voar. Mas voar para bem longe dos meus medos e dúvidas, mesmo sabendo que para alçar voo, tenho de - indubitavelmente - encará-los, porque voar é, poeticamente, sinônimo de liberdade e tão logo, só se liberta de uma prisão quando forçamos as grades, quebramos as dobradiças, cavamos túneis e escapamos, deixando a prisão em nós somente na memória. Aliás, um medo arisco frequentemente me assalta: livrei-me do medo? Nesse ponto eu fico discutindo, e preciso adestrar-me a encontrar quem, gabaritado, tenha encontrado essa resposta, se é realmente possível livrar-se de medos. Por exemplo, penso corriqueiramente se, afirmando que não acredito em Deus, consigo escapar do inferno. Lembro-me da velha aposta: "Se Deus não existe, o padre perdeu toda a sua vida; se Deus existe, perdi minha eternidade"... Outro exemplo muito interessante, fico pensando se tomar múltiplas decisões me assegura de algum conforto posterior, ou se "um passarinho na mão é melhor que dois voando", e pensando bem, fico mais na dúvida ainda se o que vivo não basta, porque "o inimigo do bom, é o ótimo"...

Na Madrugada, o tempo passa lento, efervescendo dentro da gente (seres noturnos) um sentimento de criar. Tenho medo, e isso pra mim é claro, que nessa efervescência, não gero mais medos - principalmente, o de não poder voar.

Os vários espetáculos de Jorge Bandeira

Para aqueles que na sua sexta-feira nada tem a fazer entre as 19:00hs e 21:00hs sugiro, sinceramente, que busque dar um pulo no Casarão de Idéias, na rua Monsenhor Coutinho, 175, Centro (próximo à esquina com a av. Epaminondas) para assistir ao espetáculo As 22 lâminas, de Jorge Bandeira, que também atua acompanhado das atrizes Amanda Magaiver e Iana Borges, com assistência de direção de Edy Gusmão e recepção do simpático Alex Lima.

Simplesmente sensacional, do momento de chegada, onde a taróloga Anmara Ma Gyan lê as cartas para quem desejar, até a exposição de fotografia que ocorre no salão onde fica a simpática taróloga. O espaço do Casarão de Idéias é sempre aconchegante para os amigos e exibe, em seu porão, o mais sensacional espetáculo a ser assistido muitas vezes além de uma. Em sua sexta exibição, As 22 lâminas mostrou no dia 25/11 cinco cartas, das vinte e duas que completam o tarot: A Torre, a Força, o Sol, a Papisa e o Imperador. Mas antes que se fale mais do espetáculo, vale explicar alguns pontos que, para os desavisados, pode gerar dúvidas, incompreensões, e até mesmo desapontamento ao entrar esperando assistir algo e encontrando, porém, uma peça um tanto diferente do esperado.

O primeiro ponto a esclarecer, é que a peça As 22 lâminas por ser pautada no Tarot, já sinaliza que ela difere do que estamos acostumados a ver o tempo todo nos teatros. Sempre fui bastante atraído pela cultura das cartas, seus ricos significEados e símbolos, e depois de adquirir um baralho de Marselha e um baralho Cigano, meus momentos de ócio ou tédio são sempre entregues às cartas. Por isso, para mim fora um momento maravilhoso e místico assistir à peça de Jorge Bandeira. É curioso como, cada carta, possui tantos símbolos ao qual seria uma delícia qualquer estudioso da semiótica se debruçar para estudar. Mais curioso ainda é o fato de que cada símbolo de determinada carta pode, de forma tão simples, aliar-se a outro símbolo de outra carta e trazer novos significados que, para alguns, são respostas do passado, do presente ou do futuro.

Para quem não conhece o Tarot e tem aquele preconceito concebido pelas mídias, trata-se um baralho que, acredita-se, ter sido criado no antigo Egito por um poderoso sacerdote que o chamou de “os 22 caminhos”, que cruzando o tempo foi incorporando diversos outros símbolos de determinadas culturas, ganhando grande repercussão após as pinturas feitas em Marselha para um novo baralho, incorporando até mesmo os símbolos do Cristianismo, evitando assim a perseguição da Inquisição – alguns exemplos de cartas que incorporaram grandiosamente os símbolos cristãos são as cartas o Papa, a Papisa, O Diabo, entre outros). Além dos 22 arcanos maiores (O mago, A Papisa, a Imperatriz, O Imperador, O Papa, Os Enamorados, O Carro, A Justiça, O Ermitão, A Roda da Fortuna, A Força, O Enforcado, A Morte, A Temperança, O Diabo, A Torre, A Estrela, O Sol, O Julgamento, O Mundo e O Louco) existem também os arcanos menores, que são as cartas de naipe, que não por um acaso, se popularizaram e se transformaram num famoso baralho de jogo muito utilizado para o poker, e o famoso pif-paf – que no Tarot Cigano ganham nomes como Inveja, A âncora, Os Peixes, A Montanha, e por aí vai.

A cultura das cartas é por si só complexa demais, não cabendo aqui longa explicação. Eu mesmo descubro coisas novas todas as vezes que jogo, ou leio sobre o assunto – e creio ser valioso os ensinamentos que se pode aprender para aqueles que se dispõe crer.

Jorge Bandeira fora brilhante ao propor um espetáculo de Teatro pautado nos Grandes Arcanos. Por si só, cada carta é um prato tão cheio de símbolos e elementos que, não seria surpresa cada carta gerar pelo menos um espetáculo de Teatro. No entanto, apropriando-se destes símbolos, Jorge Bandeira criou cenas inteiras em cima de cada carta e foi além: o público seleciona aleatoriamente uma carta virada para baixo, e sem saber acaba de determinar qual cena será encenada. Como dito anteriormente, o espetáculo do dia 25/11 exibiu as cartas A Torre, a Força, o Sol, a Papisa e o Imperador, mas sobre isso, saliento algo surpreendente que ocorreu de forma muita mística: eu fui o quinto espectador a escolher a carta, que fora o Imperador.

No momento que o ator me ofereceu o leque de cartas para, dentre elas, eu selecionar uma, senti um calafrio inexplicável. Escolhi qualquer uma sem pensar muito. Aquele foi um dos momentos que, para mim, foi o ápice do misticismo: não por um acaso, a carta que veio fora a do Imperador, uma das cartas que me representa (além do Mago, do Ermitão e da Torre) e, tão logo, senti que ali estava ocorrendo algo muito além de um grande espetáculo, estava também presenciando um ritual ao qual o fazedor de teatro Iago, não era o sujeito certo a estar ali, mas sim o individuo Iago, sem especificidades, sem rótulos, sem preconceitos, sem defesas...

Fiquei imaginando, depois de sair do Teatro, em todas as possibilidades: são onze espetáculos, em cada um apresentam-se cinco cartas que o público escolhe aleatoriamente (podendo ocorrer, claro, repetições de cartas) e, em cálculos imprecisos, isso significa que existem mais de 3 milhões de combinações possíveis*, representando 3,2 milhões de espetáculos diferentes que podem surgir. Só aí, o espetáculo As 22 lâminas ganha um merecimento de ser assistido constantemente, em todas as sessões, em todas as sextas. Parabenizo aos atores que aceitaram o desafio de interpretar onze espetáculos de possíveis três milhões de textos – isso não é para qualquer um.

Mais uma vez insisto em dizer: na próxima sexta-feira, não deixem de assistir ao espetáculo As 22 lâminas, escrito por Jorge Bandeira, e encenado pelo grupo Teatro Éden e Coletivo Artístico Graúna, no espaço cultural Casarão de Idéias, na rua Monsenhor Coutinho, 175, Centro (próximo à esquina com a av. Epaminondas), à partir 19:30hs (mas aconselho irem mais cedo, porque a casa lota), ao preço de 10R$ (inteira) e para estudantes ao preço de 5R$, com temporada até o dia 30 de dezembro deste ano.

Iago Luniére

PARA A LESEIRA BARÉ, NÃO BASTA DIZER BASTA...

Não poderia, de forma alguma, ficar sem me pronunciar diante aos vários discursos, falas e pensamentos que vem ecoando, aqui e acolá, entre nós, artistas e fazedores de Teatro. Porém, antes de tudo, necessito pedir perdão a algumas pessoas os quais não necessito citar nome (mas espero que se sintam citados subliminarmente ♥), sobre minha aparente ausência em relação ao Teatro de Manaus.

É de saber de todos aqueles que me cercam que, posso até ser invisível nos corredores dos teatros, e pouco participativo no que diz respeito ao convívio com a “classe artística” de Manaus, seja no fazer teatral, seja nas discussões promovidas em aberto (ou fechado) nas diversas rodas de determinados defensores de correntes ideológicas sobre o teatro feito em Manaus. Porém, devo esclarecer que jamais sou indiferente ou antagônico ao que acontece, simplesmente acompanho tudo distante e calado em conformidade com a minha inação atual.

Tenho motivos diversos para essa “ausência”, porém destaco à correria que vem a ser a minha vida após a recente entrada no Teatro de Manaus, tão brusca e de passadas largas demais: já comecei meu caminhar dentro de uma Academia, recebendo conhecimentos com grande dificuldade – o contrário do que se pensou, ou pensei um dia, de que estes conhecimentos seriam oferecidos de forma estruturada e abundante, livres e isentos do teor provinciano que constitui algumas de nossas almas manauenses. Para esclarecer melhor: essa dificuldade é apenas mais um dos frutos amargos que nós, os pioneiros que arriscaram suas vidas profissionais, financeiras e pessoais, engolimos diariamente para partilhar um tempo de seu corrido dia para uma formação que lhes assegure algum destaque futuro e, quem sabe, algum seguro de vida. Alguns de nós sobrecarregam-se com a atividade acadêmica e trabalhos secundários que lhes asseguram sua alimentação, transporte e contas pagas – e estes camaradas são, para mim, um dos motivos para que eu continue sem murmúrio: estes são verdadeiros heróis em busca de seu quinhão.

Desde o ingresso na Universidade, iniciamos um processo de desbravar e conquistar espaços que certamente serão nossa herança às gerações posteriores de artistas e fazedores de Teatro, que serão formadas nessa cidade: uma conquista por uma infra-estrutura que corresponda a um curso acadêmico de Teatro, por professores habilitados em Teatro que nos ensine e, se assim nos for possível, um Curso que venha a receber respeito por parte de todos. Logo, há outros caminhos além do de sair intitulando “os alunos da UEA” de forma conotativa, como se fossemos distantes de tudo. Muitos de nós são fazedores de Teatro como qualquer um.

Confesso que, realmente a Academia por si só não é um motivo plausível para me ausentar dos bancos dos teatros e das apresentações de quem faz teatro em Manaus, inclusive de muitos amigos meus. Devo inclusive salientar que alguns de meus camaradas de Curso formam um público muito fiel aos espetáculos que surgem na cidade, porém, minha ausência vem a se dar por um bom motivo: desde o inicio do ano, venho me envolvendo em um trabalho acadêmico que trata de um ponto pouco debatido entre nós, classe artística de Manaus, que é o Teatro na Educação básica da cidade de Manaus. Esse trabalho vem sendo construído em parceria com duas excelentes pessoas: professora Suely Barros (MSc), que adotou o Teatro em sua vida desde 2010 juntamente com todos nós que embarcamos sem pensar duas vezes nessa maravilhosa arte, e a minha queridíssima coordenadora de curso e co-orientadora Gislaine Pozzetti. Mas isso é pano pra outra manga, não vindo ao caso atual. Não totalmente, afinal, isso tem tudo haver com as falas que se seguem.

O fato é que, no ano de 2010, ao término do sétimo Festival de Teatro da Amazônia, escrevi um texto em um dos meus sites de postagem de texto, levantando questionamentos acerca da estrutura do Festival de Teatro da Amazônia e sua confusa nomenclatura que vinha abarcando todos os estados e países da Amazônia Legal e Internacional, porém aparentemente pouco participativos. Ano passado, emocionei-me com uma fala que muito me marcou: “Esse prêmio, para mim, é uma conquista política” (quem se lembra disso? Essa fala diz muito).

Certamente, minha euforia de um recém-nascido na arte teatral foi bastante à frente de minha língua, e isso me trouxe conseqüências sérias que hoje só me servem de aprendizado. Após ser questionado sobre minha ácida escrita em uma reunião, e com toda a razão, fiz-me crer que eu deveria me calar forçadamente – e assim o fiz, mas não totalmente. Passaram-se um ano entre um Festival e outro, e os ecos de 2010 ainda soam – que bom, afinal isso me faz supor que ainda há reflexões em cima do texto. No entanto, no decorrer deste tempo, ainda permaneço da mesma forma que um ano atrás: de um jeito ou outro, me pronuncio (em sussurros) prontamente sobre o que acontece no entorno da Grande Casa de Ópera, onde parece orbitar todo o fazer e pensar teatral de Manaus.

Meus ouvidos sempre se mantiveram atentos aos murmúrios dos corredores neoclássicos. Termina mais um Festival... e o que mudou?

Vibrei, antes do Festival, ao ler o edital e saber que um dos principais fatores fomentadores de discórdia entre nós, havia sido abolido: o dinheiro acompanhado do troféu. Vibrei mais ainda, quando vi maior participação dos outros estados que constituem a Amazônia legal. E quase tive um infarto de tanta euforia quando vi “Não há indicações” – claro, o tapa na cara também senti, o infarto veio só depois. Mas ao acordar na segunda-feira, imaginei o porvir de tantas novidades. Recorri imediatamente aos meus mestres, aqueles que me adotaram no Teatro, e a fala (sobre o prêmio em dinheiro, maior participação de outros Estados, e o “Não há Indicações”) não foi muito diferente da minha – ainda bem. No entanto, é claro, eles também já sentiam o mesmo que eu.

O “porvir de tantas novidades” não tardou. No mesmo dia que acordei pensando neste porvir, li em minha caixa de email um grande amigo meu parabenizando um texto que estava ganhando destaque na internet por nós, artistas. Não soube o que pensar: será que alguém cometeu o mesmo erro este ano, que eu já não o tenha cometido ano passado? Li o autor. Aliviei-me, era justamente uma das pessoas que estavam no ano passado na mesma reunião dita anteriormente. Ao ler o texto, no entanto, cantei tão logo a vitória no trecho “O tempo passou… e já temos muitos adeptos. Graças a Baco!”.

Realmente, pessoas que discordam da estrutura do Festival, de como se segue o Teatro de Manaus, sempre teve. O que não tinha, eram pessoas que falassem abertamente, que escancarassem e servissem de unificadores das demais vozes. Agora, os sussurros juntos formam um grito – potente e estrondoso, que nem as muralhas de Jericó iriam agüentar: DIGA BASTA A LESEIRA BARÉ NO TEATRO DE MANAUS. Esperei uma semana, li textos e textos que vinham sendo postados quase que em seqüência e, agora que a poeira parece ter baixado um pouco, vim pronunciar-me.

Começo não querendo dar uma de inocente que levanta e aplaude o primeiro discurso que aparece. Começo perguntando: Por que só agora se anuncia um discurso assim, prometendo mudanças, com protestos menos tímidos... Por que só agora tantos discursos abertos? É curioso o fato destas falas começarem a surgir em um momento que coincidi com a chegada da eleição para a direção da Federação de Teatro do Amazonas – e não me refiro a um discurso exclusivo. Eu ainda me mantenho distante, ainda sou um recém-nascido no Teatro. Já aprendi a falar, estou começando a aprender a andar. Mas se tem uma coisa que sempre mantive o pé atrás, como um democrata de centro que sou, é para com os discursos belos próximos de Eleições. Diante das possíveis pré-candidaturas, o que me resta dizer é:

A próxima administração da Federação de Teatro do Amazonas terá sérios desafios pela frente, destaco alguns, como a necessidade de, desde já, interferir como lhe cabe, numa luta por reestruturação de algumas bases que constituem e fomentam o Teatro em Manaus – mas fazer isto, consciente de que estará influenciando as próximas décadas, mexendo profundamente na História.

Antes de tudo, aquele que assumir a administração da Federação nessas eleições, deve acirrar mais a busca por uma maior autonomia diante da Secretaria de Cultura do Estado. O Teatro, na História da Humanidade, algumas vezes teve relações amorosas com o poder, mas as conseqüências disto nunca foram tão boas. Vale lembrar: era esse mesmo Teatro que algumas sociedades modernas utilizaram como baluarte contra esse mesmo poder – embasadas de razão, ou não. O Teatro sempre foi a vanguarda desses movimentos, e hoje, em Manaus, não é muito diferente: somos, diante de todas as outras ordens (músicos, cineastas, etc.), aquela que vem a ser a mais autônoma diante da Secretaria. Somos o exemplo, mas não estamos sabendo o ser – aliás, alguém sabia que somos exemplo? Não se pode nem recuar, nem ficar parado, e sim ser Teatro: um movimento pulsante e contínuo.

Um segundo desafio, que acredito necessário ser vencido pela próxima administração da FETAM – para REALMENTE dar-se um ponta-pé inicial para o fomento de um ‘novo’ Teatro em Manaus –, é participar de forma mais ativa nas decisões do Estado quanto aos centros de formação de atores e fazedores de teatro. Mas participar de forma ativa num sentido completo: cobrando transparência com os gastos públicos destes Liceus, Programas e Projetos (nós, quanto artistas somos pessoas públicas, formadores de opinião, representantes das massas e tão logo, temos uma responsabilidade social não só como artistas, mas como cidadãos) e reivindicando um processo seletivo, baseado na avaliação da capacidade pedagógica destes formadores, cobrando pessoas habilitadas para formarem as novas gerações dos fazedores de Teatro nestes espaços. Esse processo é, em minha opinião, o mais complicado pelos seguintes motivos: 1. Nossa Ordem não pode simplesmente descartar os mestres que temos, por isso, faz-se necessário, urgentemente, fomentar a formação dos artistas que já temos, habilitando-os a dar aula nos vários espaços que nos são oferecidos, ou incentivando-os na busca de uma formação. 2. A Federação precisa se aliar fortemente à Universidade do Estado do Amazonas – que vem a ser representada pela professora Gislaine Pozzetti (sempre prestativa, e receptiva à Federação) – nas lutas que tanto a primeira, quanto a segunda turma vem encarando (e muito provavelmente a terceira também virá a encarar).

Já disse antes, mas vale reforçar. Esses alunos, ao qual me incluo, sofrem com falta de infra-estrutura adequada para funcionar o Curso plenamente, para receber novas turmas, e para oferecer um mínimo de oportunidade para que estes formem novos conteúdos de relevante contribuição ao Teatro Amazônico (se não fosse a professora Suely e a professora Gislaine, eu ainda estaria em busca de orientadores).

Lembrando tão somente, que esses mesmos alunos que desbravam e angariam conquistas para todos, serão os futuros profissionais habilitados a formarem novas gerações – não só de atores, figurinistas, cenógrafos, maquiadores, iluminadores, etc., mas a formar novas gerações de formadores de artistas de Teatro. Sob aviso de uma amiga-mestra, eu ia deixar de lançar uma fala acerca desta questão de “projeções futuras”, mas não consegui, por acreditar ser importante dizer que: Se querem tanto que se “Diga basta a leseira baré no teatro de Manaus”, então que se diga BASTA DE PASSAR A TRADIÇÃO DA LESEIRA BARÉ ÀS PRÓXIMAS GERAÇÕES. Não adianta, de forma alguma, criticar o hoje, e permitir que ele continue no amanhã, permitindo que se tenha dentro destes centros de formação, transmissores desta tradição que cada dia mais vem se tornando obsoleta, debatendo-se frenética diante seu destino.

Quem for assumir a administração da Federação, vai ter a grande tarefa de corrigir os erros do passado não tão distante. Se o Festival de Teatro da Amazônia vem sendo o fomentador da mesquinhez, como tanto se diz, então apoio a fragmentação deste: começando pela abolição do prêmio, e o cultivo da reunião de todos para tão somente apreciar o Teatro que se faz em Manaus, ou deliberar um maior poder aos jurados – assim como é feito pelo Breves Cenas. A próxima administração deve incentivar quem vem “de fora” (atores, grupos e companhias de Teatro dos demais Estados da Amazônia Legal) – através de intensa divulgação pelos vários meios de comunicação que temos com estes. Precisamos ver aqui, o que eles fazem lá, afinal, nós passamos tempo demais assistindo a nós mesmos. Faz-se necessário ter maior contato com o exógeno para apreender e absorver novidades, para então imbricá-las à nossa realidade, e sair da mesmice. Seria numa situação de falta de espaço, que provavelmente alguns acordariam para a nova realidade que se instaura: a de que SER ARTISTA PODE ATÉ SER SUBVERSIVO, MAS SER SUBVERSIVO NÃO QUER DIZER SER IRRESPONSÁVEL.

Quem assumir a administração da Federação de Teatro do Amazonas terá tantos desafios pela frente que, será nesse momento que eu quero ver se os sussurros ainda estarão juntos, formando o grito de protesto. Mais ainda, quero ver se esse grito será capaz o suficiente para, em dois anos, quebrar a muralha de Jericó que forma a barreira da “leseira baré” de Manaus.

Iago Luniére - Acadêmico de Teatro.

Lote 90-00: o vazio da geração Y.

Totalmente perdido no meu tempo, nunca consegui compreender o que aconteceu com meus contemporâneos acerca dos movimentos sociais e culturais e o que me parece ser uma perca de mobilização da atual juventude em diversas questões (social, político, cultural e, por conseqüência, artístico e estético) quando se faz um comparativo das gerações Y e Z com as anteriores.

Movimento, segundo o poeta e crítico de arte, Ferreira Gullar, é um fenômeno exclusivo do século XX: quando se escrevia um manifesto, conquistavam-se adeptos e lutava-se pela causa proposta. No entanto, abrangendo seu significado além da perspectiva das artes plásticas – ao qual Ferreira Gullar se utilizou em seu comentário –, podemos perceber que a partir da segunda metade do século passado, mais precisamente já no seu fim, a escrita de manifestos já não era notada – ou era inexistente –, mas a luta por causas era evidente. A luta por um ideal foi a marca dentro deste período do século passado e, por conseguinte, faz-me crer que não podemos dissociar movimento de ideologia.

Revendo a historia da estética e dos movimentos sociais, podemos notar um vasto leque de movimentos que marcou o século XX (punks, mods, skinhead, heavies, rockers, etc.) e, a considerar a peculiar estética de cada um destes movimentos, podemos associá-la à herança pós-moderna que até então revolucionava os campos da literatura, da arquitetura, da moda, das comunicações e da produção cultural. (OBS: Devo salientar que, numa perspectiva da antropologia urbana, o que chamo aqui de movimento é na verdade chamado cultura juvenil, reconhecido pela mídia sob outro termo: tribos sociais. Como não se trata de um trabalho acadêmico, não me aterei à norma).

No entanto, os questionamentos a que me levo é: qual o passo que demos para o século XXI e, qual o significado deste passo – sua ideologia? Quando questionei a meu pai sobre o que, para ele, fora a década de 1990, ele me respondeu simplesmente: “Nada demais!”. Eu me recusei a acreditar naquilo que me dizia, mas sempre tive a noção – em parte salientada por ele – que em sua juventude, na década de 1970-80, havia entre a juventude mais manifestações, mais lutas por um ideal, do que ele pôde ver na década de 1990. Logo, o que ele quis dizer com “Nada demais!” quando lhe perguntei sobre 1990?

A resposta veio algum tempo depois, quando já tinha entrado na Universidade: um de meus professores de Literatura Dramática nos disse em dado momento, quando falávamos do século XX: “Como podíamos competir com Vinicius de Moraes, Chico Buarque e Tom Jobim? Como revolucionar a obra deles?”. Perdidos, seja talvez a palavra mais associada àquele momento marcado pela ruptura da ditadura, do nascimento do regime democrático e a queda da bipolaridade mundial. Quando Cazuza cantou “Ideologia, eu quero uma para viver”, mesmo tendo sido uma época antes da minha, arrisco-me a dizer: possivelmente, ele retratou muitos jovens daquele momento, perdidos e sem ideologia.

Desde minha adolescência, sempre me questionei porque meus tios veneravam Kurt Cobain, e o que os atraia àquela figura frustrada, de fim tão trágico que fora seu suicídio. Só hoje vim a compreender que meus tios eram daquela geração igualmente frustrada, e viram em Cobain seu retrato. Hoje, o movimento Grunge vem a ser, para mim, o retrato da década de 1990. E em meio a essa constatação, me questiono qual foi o passo que demos a seguir? Que papel nós, geração que nasceu nesta década, desempenhamos na década seguinte?

Certamente esse vazio, incompreensível na década de 1990, se arrastou aos dias de hoje – embora não perceptível –, diferenciando apenas num ponto: não vivemos mais no vazio como Cobain, mas talvez como Cazuza – sabemos dele, pronunciamos, e buscamos uma ideologia para viver, para preencher esse vazio. Ainda ouso dizer que Renato Russo, com certeza, revolucionou seu tempo e viu muito além do que os outros, se tornou um marco. Ele sim era o retrato brasileiro desse vazio, mas nunca passivo – fora para todos nós, o movimento pulsante da busca pelo novo e pelo que vinha.

Hoje, não consigo dissociar a década de 2000 do movimento emocore – além de tantos outros que tangiam para o mesmo ponto, o vazio. O que nós, jovens desta época, quisemos dizer com este movimento? O que essa geração, herdeira do vazio de 90, revolucionou? Certamente, Década de 0 é altamente apropriado para definir essa década de vazio - zero, nada, vácuo, vazio.

Relembrando hoje, posso perceber o que, para mim, foi esse momento. Certamente nossos filhos e netos responderão com mais clareza e certeza, mas este momento foi o auge de uma juventude torturada por este vazio, desorientada e perdida. Quando, nos meus quinze anos eu escutava as pejorativas lançadas à este movimento como um agrupamento de adolescentes homossexuais, ou jovens chorões, me levo a compreender, hoje, o que tudo significava. Era uma geração não só torturada pelo vazio, herdada da década anterior, mas uma geração que estava se descobrindo, talvez prestes a encontrar o seu caminho, mas reprimida socialmente, de modo a se esconder em em praças e shoppings, transformando-os em seus nichos particulares (não uma novidade, os punks já o faziam e movimentos antes deles).

Mas tudo incide em movimento, em mutação. Hoje, vejo constantemente um movimento pulsante por diversas causas (sustentabilidade, reforma política, direitos civis, etc.) e começo a o projetar o porvir e, quem sabe, acompanhá-lo. Novos movimentos estão surgindo, novas estéticas, novas correntes de pensamento. A geração Z, completamente nativo-cibernética, sempre conectada, começa a trazer o prenúncio de novos tempos. Indies, screamos, Straight edge, etc., todos começam a traçar não um retrato do hoje, mas juntos constituem um movimento que prenuncia mudança, o nascimento de um grande evento colhido, quem sabe, por nossos filhos ou netos.

PLC 122/2006: A lei para todos ou para alguns?

(Edição de imagem, Thiago Sandim - http://theidle.tumblr.com)

Essas três últimas semanas eu venho assistindo na televisão e acompanhando na internet, seja em fóruns de discussão ou lendo postagens de amigos em sites de relacionamento, notícias sobre um projeto de lei constitucional que vem causando grande polêmica: A PLC n°122, que não é assunto novo, pois na verdade foi redigida em 2006 e causou um impacto fervoroso no meio cristão e, mais precisamente, no meio político entre as bancadas católica, evangélica e pró-família.

É de se convir o quanto é sensível acompanhar na mídia - de forma altamente sutil - o descaso da segurança pública com uma pequena parcela da sociedade, os LGBTT ("Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais"). O que antes a causa de morte entre essa parcela da sociedade era uma doença (que gerou muitos mitos em torno dos homossexuais), hoje é a violência homofóbica. Para tanto, foi-se montado em cima do projeto de lei da então Senadora Iara Bernardi, a comando do então senador Luciano Zica, a PLC 122/2006 que possuia uma redação prevendo de multa a cinco anos de prisão em alguns casos, para diversas modalidades de discriminação e homofobia, visando solucionar os problemas da violência contra os homossexuais e inclui-los na sociedade.

Entrave: A Igreja pareceu esquecer a ruptura de Lutero e se uniu fervorosamente contra o projeto de lei que, ao que tudo indicava, tinha uma redação tão capciosa, que poderia começar a ferir o outro lado da moeda: a fé cristã e a moral familiar. Hoje temos um front violento: De um lado, os LGBTT. Do outro, a tríplice aliança (Evangélicos, Católicos, e Pró-Familia) e os números são muito volumosos no debate, porque só os evangélicos são quase 30% da população, os católicos 73,8% e os homossexuais giram em torno de 18 milhões de pessoas. A briga parece mais uma queda de braço: Num dia 1500 homossexuais se reúnem diante do Senado e entregam um abaixo-assinado a favor da PL com 100 mil assinaturas, no outro, os 20 mil cristãos se reúnem e entregam mais de um milhão de assinaturas.

Eu li no ano passado a antiga redação, li esse ano a atual redação, e gostaria de levantar determinados questionamentos: 1. O projeto de lei visa proteger os homossexuais, ou simplesmente calar a boca dos que não concordam com sua prática? 2. Opinar, criticar, estabelecer posição contrária ao homossexualismo se tornaria crime diante tal lei? 3. Utilizando-se do termo "filosoficamente", empregado em um dos artigos, isso implica pensamento ou corrente de pensamento - isso significa que as religiões e/ou moralistas devem ser presos por pensarem contrariamente?

Não vamos deixar de ser solidários com a parcela homossexual que todos os dias vem sofrendo psicologicamente, socialmente, fisicamente e, para aqueles que acreditam: até espiritualmente. São um povo que todos os dias sofrem pressões por parte da sociedade moralista e religiosa predominante, homofóbica, passando por situações vexatórias, humilhantes. Que buscam seu espaço ao sol na conquista de um emprego que lhes é corriqueiramente negado devido a sua orientação sexual, ou é excluido de espaços públicos, escurraçados todos os dias. Alguns, que são agredidos físicamente, são torturados, são assassinados. Sua fé os abandonou, se um dia foram educados na fé cristã, viram-na dar-lhes as costas, mas não sem total razão, tinham conhecimento de que a sua fé considerava o ato homossexual pecaminoso. Mas eles são um povo que escolheu a simples opção de ser alegre, de ser feliz, de amar, e recebem de nós, sociedade (afinal, calar é ser conivente), a recompensa da exclusão, do ódio, da homofobia.

Mas nem por isso tudo, esse povo ganha o direito do privilégio. Se é tocante a solidariedade com essa nação que a cada dia se mostra mais colorida, temos de ser tocados por aquele povo que tem fé em um deus, que acredita nele com todas as suas forças, que crê que ele opera milagres, salva, cura, que é simplesmente a última saída quando todas as saídas propostas pela Ciência falharam. A importancia da religião numa sociedade tem características antropológicas fundamentais, tendo em vista que ele é não somente um fator unificador, mas uma resposta para as perguntas não respondidas. É muito fácil para o homem encontrar para a pergunta: "Por que o homem existe?", a resposta "Por que Deus quis". E por mais que a Ciência se remexa, se contorça, essa é a resposta mais satisfatória que se pode encontrar.

Não quero aqui, por minha vez, disseminar "Apoiem PL 122", ou "Não apoiem PL 122", mas que simplesmente assumam uma posição - depois, evidentemente, de ponderar bastante. Esse projeto de lei tem sua redação altamente capciosa, privilegiando uma minoria da sociedade brasileira, com possibilidade de ser usada como arma de jogos políticos dos mais diversos, como meio de calar outros cidadãos que herdaram e ainda passam às gerações posteriores os conceitos morais de antigamente.

Devemos entender, que a Democracia, e o Estado Republicano é um regime de igualdade e liberdade, onde todos tem direitos iguais, em medidas desiguais, mas ainda assim, não mais ou menos privilegiado que o outro. Todos tem o direito de ir e vir pela calçada, mas somente o cadeirante tem direito às rampas de acesso. Todos tem o direito de serem protegidos perante a lei - assim como todos o são - mas somente os homossexuais tem o direito de não ouvir críticas, de ter religiões contra sua prática (ou seja lá o que homossexualismo for)?

Devo parabenizar a todos que constituíram e constituem esse fato que é, no mínimo, histórico. À senadora Iara Bernardi por criar o projeto, à senadora Marta Suplicy por desengavetá-lo, ao deputado Jean Wyllys por tão bem representar a sociedade LGBTT, e também ao Pr Silas Malafaia, por ter sido tão atento e mobilizar as massas que podiam ser prejudicadas. Fico feliz de estar presenciando um movimento democrático tão lindo, pois sou jovem, e não presenciei os moviemntos que asseguraram que hoje, eu vivesse em liberdade democrática. Lamento apenas, que toda essa movimentação não esteja sendo empregada em prol de reformas tributárias, políticas, ou de melhor educação e saúde.

De tudo isso, devemos apenas tirar a maior lição de todas: a tolerância, que constitui este estado democrático, onde a lei, pétrea e indissolúvel, deve servir a todo e qualquer cidadão brasileiro, independente de cor, raça, sexo, religião, origem e orientação sexual.

Iago Luniere

Erros do passado...

Caraca, nem lembrava de certas coisas do passado, revirando caixa de email, encontrei essa:

"Hoje fiquei magoado, me senti um lixo, principalmento com aquela frase 'de pirraça vou ficar com a 1ª pessoa que aparecer'. Sendo assim eu valho porcaria nenhuma não é? Não fiz nada no curso hoje, todos me perguntavam pq eu tava triste, não podia falar realmente a verdade, mas eu dizia "é que culpa do amor".
Desde o início estou sendo sincero com você, tudo que eu digo é verdade, mas não sei se realmente você está sendo sincero comigo. Aquela do (nome de amigo) não colou, pela reação dele ontem eu percebi que vc já havia contado pra ele, mas pq não me disse?

Tudo bem, eu te entendo, te entendo pq te amo. Mas não brinque mais com meus sentimentos que nem você fez hoje nas mensagens, por favor. Não quero acabar antes de começar.

Um beijo!"

Viram pimpolhos lindos? Quando alguém se deitar aos seus pés, lhe idolatrarem, lhe amarem como nunca, não pisem, okay? Paguei caro por cometer esse erro!