sábado, 8 de março de 2014

INSÔNIA

“Tom? Tom, você consegue me ouvir? Espero que consiga me ouvir, porque é muito importante o que eu quero te dizer neste exato momento. Tom, você acaba de morrer”.

Um ressalto. Onde estou? Certamente esse é o teto do meu quarto. Sim, é o teto do meu quarto e estou na minha cama. Mas que diabos está... Espera. Está chovendo lá fora. Está frio. Posso sentir a brisa úmida. Mas a cama está suada. Era um pesadelo. Mas que droga de pesadelo! Olho pro lado e vejo o Pedro, tranquilo. Filha da mãe, era provável que eu tivesse um infarto do lado dele e ele nunca acordaria. Quando começamos a namorar, e eu tinha esses pesadelos, era eu acordar ressaltado e ele avançava pra cima de mim tentando me acalmar, nem parecendo que estava dormindo há alguns segundos atrás.

Mas afinal, com o que eu sonhei? Acabei de acordar de um pesadelo, mas não consigo lembrar o que cargas d’água era o pesadelo! Não era mais fácil não ter tido o pesadelo e simplesmente ter continuado a dormir? Agora estou acordado, que droga! Serão trinta minutos tentando encontrar a posição certa, mais quinze pensando em um monte de coisas, até que os pensamentos comecem a transitar entre o consciente e o inconsciente. Daí quando eu menos esperar, estarei dormindo. Quarenta e cinco minutos! Que horas são?
São quatro da manhã? Mas que droga! Ainda agora eram 2:15hs. Isso quer dizer que dormir por uma hora e quarenta e cinco minutos. Mas tenho de estar de pé às cinco, o que significa que se voltar a dormir e demorar quarenta e cinco minutos, estarei com mais... quinze minutos de sono? Que droga. Droga!

Quero transar. Depois de transar sempre me dá sono. Pedro não acordaria pra transar nem que Brad Pitt estivesse nu ao lado dele só de paetê. Posso me masturbar. Sim, me masturbar.

Amanhã tenho que terminar aquele maldito projeto. Porque aquela vadia cafona quer pagar uma fortuna pra um arquiteto fazer o que ela quer, sendo que ela não aceita porcaria nenhuma do que ele aceita? Será que eu falo pra ela que almofadas com fronhas de crochê é cafona demais hoje em dia? Mas ela tá pagando bem, pegaria mal eu fazer isso. Certamente era perder a cliente, e eu não posso me dar a esse luxo. Maldito cartão de crédito, eu odeio crédito! Serve só pra gente se endividar! Antes melhor se privar de um monte de gastos desnecessários, juntar o dinheiro e comprar à vista. Tenho certeza que teria comprado aquela TV à vista. E pra que? Pro Pedro assistir futebol! Ele não podia ser um namorado comum? Simplesmente... gay? Ele tem que ser tão másculo? Ele poderia... droga. Droga! Argh! Argh!...

Merda, gozei na porra do edredom. Agora vai ficar melecado e enquanto estiver dormindo, minha pele vai roçar nessa porra, daí eu vou acordar. Eu deveria ter posto a outra mão, depois podia ter lavado e voltava pra cama. Mas aí eu teria perdido o efeito do orgasmo e não teria adiantado de nada, eu não ia voltar a dormir. Mas que porra! Agora que tinha conseguido dormir, já tá na hora?

sábado, 1 de março de 2014

Só pra constar, estou vivo...

Bem, estou vivo. Apesar de... independente de... além de... acima de...

Sim, sumido, mas vivo. É meio estranho retomar algumas de nossas rotinas antigas, ou programas antigos, porque quando reencontramos pessoas que fazem estes mesmos programas ou frequentam a mesma rotina, e que por um acaso, estavam dentro do nosso circulo social, boom... perguntas mil surgem. Sempre rola uma explicação meia-boca pro "Por que você sumiu?" ou "E agora? Que cê anda fazendo?".

Passei por uns maus bocados, isso não é segredo. Depressão, fobias, novas atitudes que eu ainda preciso me acostumar. Mas a parte ruim passou. Daqui pra frente é reconstruir, se preocupar com a taxa de juros da previdência, da poupança, da fatura que vai vencer mês que vem, do que fazer da vida daqui por diante.

Muita coisa ainda precisa ser feita. Retomar os estudos, o trabalho, meus projetos pessoais. Terminar coisas inacabadas, conhecer gente nova, deletar gente velha que não vai fazer falta. Tentar me misturar na fluidez da vida e ser fluido que nem ela, pra não ficar parado no tempo. Aliás, ninguém fica parado no tempo. Fica parado, e só. O tempo rola tranquilo e a vida vai seguindo mansa nos seus altos e baixos (e cantarolando, se duvidar).

Só pra constar, ainda estou vivo. Estou voltando, e não se surpreenda. Surpresa seria receber convite pra funeral de gente que não vemos a um bom tempo. Surpresa de gente que ainda está viva não é nem surpresa, é só informação avulsa.