quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Porque na dúvida reside a decisão que um dia nos arrependeremos e talvez amargamente

Um apartamento sem muitos móveis, e um colchão sem cama. A chuva lançava rajadas de água na janela. No quarto, um homem chorava. Na sala, outro fumava um cigarro. Não saberiam dizer como chegaram àquele momento da vida de ambos, onde dez anos de casamento era tão parecido com a água que escorria pelo vidro da janela.

- Eu ainda te amo.

- E eu também.

Ambos se olhavam com lágrimas nos olhos, e nos de Fábio, o azul se tornava mais aquático. Saindo do prédio, Pedro sentia a rajada da chuva lavar-lhe. Era como sangue que brota da gente quando estamos numa piscina. Por mais que se dilua na água, ainda brota, e cada vez mais. Nada lavava aquele sentimento. Aquela perda. Ia cruzar a rua, não sabia por onde seguir.

Fábio, como num despertar, virou-se e saiu porta afora. Correu a plenos pulmões, mas a visão era sempre embaçada pela chuva. Via embaçado somente os halos da iluminação dos postes. Correu para dizer eu te amo, e a frente via alguém gritando. Era uma mulher. Seu carro estava mais a frente, porta do motorista aberta, em diagonal no meio da rua. Ela tentava reanimar alguém deitado. No chão, seu amado. Fábio chorou.

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