No último post sobre Centrismo, "O irritante e desconfortável Centro (parte 1): aonde fica um posicionamento sem ir a extremos", eu falei sobre o Diagrama de David Nolan, que mostra os cinco posicionamentos políticos (Direita, Esquerda e Centro, Progressismo e Estadismo). Sobre cada um dos posicionamentos políticos classificados, há algumas principais correntes de pensamento que se pautam na opinião individual de um ser em relação ao seu Estado, e se este deve, ou não, ser intervencionista. Essas intervenções se pautam em dois critérios, que é o econômico (de onde extraímos a maior parte dos nossos recursos financeiros atuais) e aquele pautado na liberdade pessoal. Falei também sobre o Centrismo, e como esse posicionamento político não atinge extremos - ou seja, está sempre flertando com medidas ora de Direita, ora de Esquerda, e nunca passa disso (o Libertarianismo e o Totalitarismo são extremos além dos extremos, ou seja, não seria possível que decisões Centristas alcançassem esses ultra-extremos).
Antigamente, durante boa parte do século XX, se falava muito da Direita e da Esquerda. Era um pensamento recorrente e bipolar que não dava conta do quadro mundial pós-moderno, e portanto, traçou-se uma linha paralela para definir outros posicionamentos políticos. Na verdade, outras variáveis mediadoras. Além de alguém ser de esquerda, por exemplo, essa pessoa poderia ser libertária - ou seja, preza pelo social, e também pelas liberdades econômicas. O Centrismo, nesse caso, nunca ganhou uma definição fechada, e o máximo que se pode falar sobre ele é divagatório (e sinceramente não encontrei nenhum "tratado" sobre centrismo).
O Centrismo vai surgir delineado em um diagrama com o David Nolan, ganhando um espaço próprio, onde um ponto (o seu posicionamento) pode se localizar mais próximo de qualquer extremo. Caso esse ponto ultrapasse as fronteiras do centro, ele pode situar-se em um posicionamento político de fato. Sobre o Centrismo: é o único pensamento político que, além de possuir consciência de que sua sociedade nunca poderá ter o mercado totalmente livre, também sabe que as liberdades de seu povo, se postas em prática em sua totalidade, podem ser prejudiciais e, diferente do Totalitarismo, não possui nenhum interesse em intervir sem levar em consideração as liberdades pessoais. Percebam que, assim como a Direita, o Centrismo não tem pudores de intervir nas liberdades pessoais, assim como não se pudora em mexer nas liberdades econômicas, tal qual faz a Esquerda. Isso parte do pressuposto de que liberdades sem freios, sem filtros, são possíveis de confrontar-se, gerando uma situação - na pior das hipóteses - caótica, e caos, apesar de ser a origem de muita coisa (ou praticamente tudo), ele gera a total destruição de algo pré-existente.
Alguns progressistas (e alguns radicais, como os anarquistas) podem achar que gerar coisas novas e novos paradigmas é algo positivo, mesmo que esse algo novo nasça do caos. Mas é impossível se destruir tudo para gerar algo novo, porque o preço a se pagar é muito alto. Nesse ponto, o Centrismo nunca chegará a extremos, impondo progressismos ou conservadorismos, como seria numa política Totalitarista, que intervém em absolutamente tudo - geralmente, sem consulta, argumentação, ou aval popular. O Centrismo preza pela liberdade econômica, porque desta sai os recursos que permitem que seu povo tenha a sua liberdade pessoal resguardada; e no entanto, se faz importante regular filtros para que ambas não degringolem. Resumindo, podemos vislumbrar a busca por uma harmonia que transcende as formas de um Estado administrar - implica em buscar estabilização e equilíbrio, sendo o desenvolvimento algo natural (e não imposto).
Alguns progressistas (e alguns radicais, como os anarquistas) podem achar que gerar coisas novas e novos paradigmas é algo positivo, mesmo que esse algo novo nasça do caos. Mas é impossível se destruir tudo para gerar algo novo, porque o preço a se pagar é muito alto. Nesse ponto, o Centrismo nunca chegará a extremos, impondo progressismos ou conservadorismos, como seria numa política Totalitarista, que intervém em absolutamente tudo - geralmente, sem consulta, argumentação, ou aval popular. O Centrismo preza pela liberdade econômica, porque desta sai os recursos que permitem que seu povo tenha a sua liberdade pessoal resguardada; e no entanto, se faz importante regular filtros para que ambas não degringolem. Resumindo, podemos vislumbrar a busca por uma harmonia que transcende as formas de um Estado administrar - implica em buscar estabilização e equilíbrio, sendo o desenvolvimento algo natural (e não imposto).
Como possui características ora da Direita, ora da Esquerda, ele flerta com ambas e entre essas características, ele mantém um pouco do conservadorismo da Direita: o progresso acelerado pode ser problemático; e também mantém em foco o progressismo da Esquerda: o progresso existe, e a sobrevivência de uma nação depende da adequação à ele, assim como existem as dinâmicas sociais que, com o mundo globalizado, são rápidas, e portanto, o Estado precisa acompanhar tais dinâmicas e as liberdades individuais dentro de cada novo paradigma que surge. Isso tudo precisa ocorrer de forma muito natural, sem intervenções, mas acompanhando esse processo evolutivo de uma sociedade. Ele busca ACOMPANHAR as dinâmicas sociais, e garantir que elas aconteçam de forma segura, sem extrapolar.
Sobre isso, eu vou dar um exemplo, que é fictício: Imagine o Brasil nos primeiros anos da chamada revolução sexual. Antes dela, vigorava os tabus religiosos. Depois dela, certas liberdades pessoais surgem, e uma parcela da sociedade clama que essas liberdades sejam garantidas, ou seja, não corram o risco de serem proibidas de nenhuma forma possível de fazer com o seu corpo o que bem entenderem. Nesse novo paradigma, os homossexuais decidem que não é preciso mais de segredos, que eles querem andar nas ruas de mãos dadas como as outras pessoas, querem ter o direito de se casar, de constituir família, de deixar seus bens em herança para seus cônjuges, etc. O que aconteceu: teve o golpe militar, ou seja, o Totalitarismo entrou (não por um acaso, um Totalitarismo tombado pra Direita Conservadora), e saiu prendendo, torturando e matando. O que aconteceria se houvesse uma Estado Centrista? O Estado, muito provavelmente não buscaria intervir, mas como sabemos que há a parcela Conservadora, um grande debate iria surgir, e o máximo que o Estado tentaria fazer seria promover um diálogo entre os dois lados, e propor políticas públicas voltadas para intolerância sexual na área da educação, saúde, cultura, etc. E no máximo, proporia para o Legislativo a discussão de leis que atendam as reivindicações dessa classe da sociedade que surge.
Agora, vamos supor que com os homossexuais mais liberais surgindo no cenário, comece a aumentar consideravelmente o índice de violência contra homossexuais. Seria de se esperar de um Estado com uma postura Centrista, que ele intervisse nessa situação. Aqui, o Estado perde o seu pudor de intervir, independente do fato dele afetar outros direitos - como por exemplo, o de opinião alheia sobre "a homossexualidade ser algo que merece ser extirpado". Muito provavelmente, um Estado Centrista bem estabilizado não precisaria de uma intervenção severa como esta, e o esperado, era que suas políticas de educar a população para o novo paradigma, bastasse. Aqui, percebe-se que o Centrismo é aberto às mudanças naturais, sem importar-se em intervir para acelerá-las, ou reprimi-las. Além de ter um "quê" de vanguardismo, ou seja, estar atento aos novos paradigmas que possam vir a surgir, e pensar em como lidar com eles sem uma interferência negativa.
E isso é um exemplo de intervenção estatal centrista à um fenômeno social. O mesmo seria feito por um Estado Centrista com um fenômeno econômico. Exemplo fictício breve: uma determinada multinacional de tabaco se instala no país. Apesar de atender todas as exigências pré-estabelecidas, a multinacional encontrou brechas legais que a permitam explorar mais que o devido determinados pontos do comércio, que começam a gerar monopólio na comercialização do tabaco. Seria de se esperar de um Estado pautado em políticas centristas, que intervenções fossem feitas para que uma indústria nacional, por exemplo, entrasse em pé de igualdade com a multinacional - ou que incentivasse mais a agricultura familiar que trabalha com a cultura do tabaco (como o cooperativismo, por exemplo). Isso influenciaria os preços, que poderiam aumentar, ou diminuir - e no caso de um monopólio quebrado, a tendencia é diminuir (e isso ainda é relativo). Só que assim como na situação dos homossexuais, um Estado Centrista bem estabilizado não teria grandes problemas nesse sentido, uma vez que provavelmente, as exigências pré-estabelecidas já poderiam ter sido pensadas prevendo determinados problemas, ou a permissão da vinda da multinacional só seria dada, se o governo tivesse um mínimo de certeza de que isso não influenciaria negativamente a economia do tabaco como um todo.
Parece utópico, né? Pode-se dizer que é quase. Estados centristas geralmente só se desenvolvem bem, quando se encontra um terreno político e econômico estabilizado. No Brasil, Tancredo Neves só teve oportunidade de exercer uma política centrista, porque as condições e dinâmicas sociais naquele momento eram propícias. Como ainda há uma grande instabilidade política, ainda advinda da Guerra Fria, a Direita passou a ser alvejada como vilã, e a Esquerda como grande decepção. Surgem aí outras saídas. Quem nunca viu na timeline do facebook alguém desejar a volta da Ditadura? Quem nunca ouviu falar de Libertarianismo, ou Anarcocapitalismo? Exemplos de pensamentos de extrema-direita e totalitaristas que surgem, quando nada mais serve.
Assuntos que abordam temas sociais, como fome, miséria, etc., não estão mais nos livros apenas. Com a globalização e o surgimento da rede mundial de computadores - e com o aumento de usuários dessa rede -, as pessoas estão entrando mais e mais em contato com tais assuntos. Um comercial de TV que fala que tudo está perfeitamente bem, não engana mais. As discussões sobre temas sociais, já saíram das rodas intelectualmente elitizadas e estão se popularizando mais. A "vilanização" da Direita ainda não morreu, e a Esquerda está deploravelmente desacreditada. Mas o que é interessante observar: mais e mais surgem pessoas que, bem ou mal, estão se politizando - sobre a politização de internet e o ativismo de sofá vou fazer um texto a parte, quem sabe -, e portanto, tomando consciência de que seus Estados devem atender às suas populações. Também estão tomando consciência, de que um capitalismo irrefreado é perigoso, ainda mais com a propagação de discussões de cunho ambiental, e os problemas que o planeta vem passando nesse sentido.
Onde mora o Centrismo nessas questões? O mundo está colapsando, e isso tem algum tempo. Os problemas sociais ainda existem, são difíceis e complexos demais pra se resolver, não havendo fórmula pronta e preparada - requerendo, portanto, um esforço intenso por parte do Estado para atuar em soluções pragmáticas. Soma-se a esses problemas sociais, a pressão popular que no inicio do século XXI se intensificou na busca pelas soluções de tais problemas, e pela busca das plenas liberdades. Os problemas ambientais se tornaram algo que está afetando a economia, a sociedade e a qualidade de vida. A economia mundial está fragilizada, e o Mercado não só é parte desse problema, como em alguns casos, é a origem do problema.
Como atuar? Os problemas se correlacionam, e portanto, as soluções (ou seja, as medidas estatais) devem ser "interdisciplinares". Por exemplo: no caso do Brasil, com a economia desaquecendo, a inflação aumentando, os gastos públicos extrapolando os limites da mordomia, as soluções seriam a desoneração do Estado em alguns casos (como a permissão para a iniciativa privada construir portos para desafogar o escoamento de cargas), que reduziriam os gastos excessivos do estado; o investimento pesado em infraestruturas planejadas não apenas para solucionar determinados problemas sociais e econômicos, mas que visem o progresso da economia (como por exemplo, o replanejamento urbano, a construção de meios alternativos de transporte, como linhas férreas para cargas, etc), que viabilizariam um atrativo para o investimento estrangeiro no país; e por último, uma reformulação nas administrações de determinados serviços básicos (como saúde, educação, segurança, etc); abrir mão de pudores em tornar efetiva a proteção das liberdades individuais (como a descriminalização de certas drogas, do aborto, do livre exercício de opinião e pensamento), se tornam saídas viáveis.
Quem tem PODER pra isso? O Estado. Quem tem CORAGEM de usar o Estado para atitudes assim? Vai saber... A Direita é castrada pela maioria conservadora, como a bancada evangélica. A Esquerda ainda possui muitos pudores de abrir mão de seus mecanismos de controle, e possui dificuldades em lidar com o Mercado, e muitas vezes, suas medidas são perigosas num cenário de economia mundial em crise. O Centrismo, no caso, iria desagradar gregos e troianos. A resposta, provavelmente, pode residir no espirito democrático, mas isso demora tempo. Seja qual for os posicionamentos capazes, o Centrismo é aquele mais aproximado de uma liberdade ideológica capaz de permitir uma livre transição entre políticas de esquerda e de direita, e de intervir não só pautado em ideologias, mas nas necessidades do seu povo.
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The Political Compass
(para saber seu posicionamento político. Está em inglês, e não leva em consideração o centrismo)
http://politicalcompass.org/index
Diagrama de Nolan
(Outro teste para saber o posicionamento político, em português, e considerando o centrismo como posição política)
http://www.diagramadenolan.com.br/o-que-e-o-diagrama-de-nolan?locale=pt
Blog "A Matrix Política", com artigo sobre Espectro Político, e o Diagrama de Nolan.
http://matrixpolitica.blogspot.com.br/2012/08/espectro-politico-3-aplicando-o-grafico.html
Assuntos que abordam temas sociais, como fome, miséria, etc., não estão mais nos livros apenas. Com a globalização e o surgimento da rede mundial de computadores - e com o aumento de usuários dessa rede -, as pessoas estão entrando mais e mais em contato com tais assuntos. Um comercial de TV que fala que tudo está perfeitamente bem, não engana mais. As discussões sobre temas sociais, já saíram das rodas intelectualmente elitizadas e estão se popularizando mais. A "vilanização" da Direita ainda não morreu, e a Esquerda está deploravelmente desacreditada. Mas o que é interessante observar: mais e mais surgem pessoas que, bem ou mal, estão se politizando - sobre a politização de internet e o ativismo de sofá vou fazer um texto a parte, quem sabe -, e portanto, tomando consciência de que seus Estados devem atender às suas populações. Também estão tomando consciência, de que um capitalismo irrefreado é perigoso, ainda mais com a propagação de discussões de cunho ambiental, e os problemas que o planeta vem passando nesse sentido.
Onde mora o Centrismo nessas questões? O mundo está colapsando, e isso tem algum tempo. Os problemas sociais ainda existem, são difíceis e complexos demais pra se resolver, não havendo fórmula pronta e preparada - requerendo, portanto, um esforço intenso por parte do Estado para atuar em soluções pragmáticas. Soma-se a esses problemas sociais, a pressão popular que no inicio do século XXI se intensificou na busca pelas soluções de tais problemas, e pela busca das plenas liberdades. Os problemas ambientais se tornaram algo que está afetando a economia, a sociedade e a qualidade de vida. A economia mundial está fragilizada, e o Mercado não só é parte desse problema, como em alguns casos, é a origem do problema.
Como atuar? Os problemas se correlacionam, e portanto, as soluções (ou seja, as medidas estatais) devem ser "interdisciplinares". Por exemplo: no caso do Brasil, com a economia desaquecendo, a inflação aumentando, os gastos públicos extrapolando os limites da mordomia, as soluções seriam a desoneração do Estado em alguns casos (como a permissão para a iniciativa privada construir portos para desafogar o escoamento de cargas), que reduziriam os gastos excessivos do estado; o investimento pesado em infraestruturas planejadas não apenas para solucionar determinados problemas sociais e econômicos, mas que visem o progresso da economia (como por exemplo, o replanejamento urbano, a construção de meios alternativos de transporte, como linhas férreas para cargas, etc), que viabilizariam um atrativo para o investimento estrangeiro no país; e por último, uma reformulação nas administrações de determinados serviços básicos (como saúde, educação, segurança, etc); abrir mão de pudores em tornar efetiva a proteção das liberdades individuais (como a descriminalização de certas drogas, do aborto, do livre exercício de opinião e pensamento), se tornam saídas viáveis.
Quem tem PODER pra isso? O Estado. Quem tem CORAGEM de usar o Estado para atitudes assim? Vai saber... A Direita é castrada pela maioria conservadora, como a bancada evangélica. A Esquerda ainda possui muitos pudores de abrir mão de seus mecanismos de controle, e possui dificuldades em lidar com o Mercado, e muitas vezes, suas medidas são perigosas num cenário de economia mundial em crise. O Centrismo, no caso, iria desagradar gregos e troianos. A resposta, provavelmente, pode residir no espirito democrático, mas isso demora tempo. Seja qual for os posicionamentos capazes, o Centrismo é aquele mais aproximado de uma liberdade ideológica capaz de permitir uma livre transição entre políticas de esquerda e de direita, e de intervir não só pautado em ideologias, mas nas necessidades do seu povo.
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The Political Compass
(para saber seu posicionamento político. Está em inglês, e não leva em consideração o centrismo)
http://politicalcompass.org/index
Diagrama de Nolan
(Outro teste para saber o posicionamento político, em português, e considerando o centrismo como posição política)
http://www.diagramadenolan.com.br/o-que-e-o-diagrama-de-nolan?locale=pt
Blog "A Matrix Política", com artigo sobre Espectro Político, e o Diagrama de Nolan.
http://matrixpolitica.blogspot.com.br/2012/08/espectro-politico-3-aplicando-o-grafico.html
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