Quero agradecer a quem está lendo os meus textos sobre Centrismo, e agora eu queria falar alguns dos meus posicionamentos sobre o assunto. No primeiro texto eu expliquei sobre os posicionamentos políticos classificados, e como eles abordam as posições de cada individuo sobre a economia, e sobre o social - ou seja, sobre as liberdades individuais de cada individuo dentro de uma sociedade. No segundo texto, abordei sobre o centrismo e uma das características dele segundo posicionamentos relativos à economia e às liberdades individuais. Agora, vou falar mais um pouco sobre o Centrismo, e sobre alguns equívocos que eu próprio tinha, e que durante o tempo que vim "pesquisando" para escrever os textos, e refletindo o assunto, eu passei a desanuviar mais a mente.
O primeiro ponto que eu queria abordar, é sobre a neutralidade. Geralmente pensamos - e assim pensei durante certo tempo - que um posicionamento centrista, seria um posicionamento neutro. Por exemplo: casamento entre homossexuais - seria de se imaginar que, como centrista, eu seria neutro sobre o assunto, o que seria uma inverdade. Em real, quando pensamos politicamente (na verdade sobre quase tudo o que pensamos sobre nossa sociedade, cultura, etc.), pensamos em outras coisas a qual a política abarca. É um campo vasto que tem dentro de si aberturas para outros campos vastos. Pensar sobre determinado assunto, quando nos propomos a pensar profundamente neles, é algo exaustivo. Os filósofos nascem a partir do momento que eles se dedicam a pensar profundamente acerca de determinados assuntos (ou temas, ou conceitos) em busca de uma verdade limpa de variáveis, ou seja, uma verdade máxima ao qual podemos nos debruçar e partir para várias possibilidades. O que acontece com o posicionamento político, é que por ele ter essas várias aberturas, não conseguimos achar uma verdade máxima ao qual podemos partir em busca de respostas. Se eu tenho um posicionamento tomado como uma verdade máxima, quando eu caio em uma destas aberturas para outros campos vastos, posso me descobrir com um posicionamento aproximado do oposto do qual me defini - ou distante demais do que imaginei que fosse.
Então eu pensava que o posicionamento em um espectro político era algo fixo, mas então fui percebendo (e como essa terceira parte é mais sobre uma reflexão minha, não saí a caça de alguém que tenha teorizado isso) que na verdade, o posicionamento político além de ser um ponto em determinado espectro, seria também um centro do qual podemos partir flexivelmente por uma área estabelecida. Vou usar o meu posicionamento como exemplo. Calhou de meu resultado ser centro-esquerda, e portanto, este é o ponto. Ele define a área pelo qual esse ponto pode transitar segundo o posicionamento acerca de um determinado assunto. Se eu for me posicionar sobre transporte público, provavelmente eu vou estar mais aproximado da esquerda liberal, na contrapartida que se eu for me posicionar acerca de aeroportos, eu vou estar mais aproximado de uma direita-liberal. Ou seja, o meu posicionamento, além de um ponto no espectro, também é o ponto de partida de uma área pelo qual eu transito.
Isso me leva a uma liberdade de posicionamento, logo, uma posição num espectro não é suficiente para apresentar possibilidades de posicionamento, muito menos limitação reflexiva. Mas pode apresentar as tendências que eu geralmente tomo quando me posiciono, e, reforçando, essas tendências ainda são vastas para apontar possibilidades. Por exemplo: alguém me questiona meu posicionamento sobre apoio financeiro à companhias de teatro. Seria errôneo alguém afirmar que por eu, Iago, ser de centro, não apoio a total dependência destas companhias do Estado. Porque meu posicionamento é contrário. Assim como se me questionam sobre Reforma Agrária, se eu fosse de Esquerda, as pessoas já afirmassem que eu apoio a intervenção do Estado. Não, eu defendo a propriedade privada. Se o estado quer minha propriedade pra dividir com quem não tem, ele que compre de mim minha terra. Percebem?
Então, pra que saber o posicionamento político? Eu encaro a função do saber o posicionamento num espectro político como qualquer outro tipo de saber, aquele que eu utilizo para sobreviver em determinado meio. Saber que eu sou Centrista, pra mim, serve para eu ter uma base sobre a qual eu reflita, e parta para encontrar outros posicionamentos acerca de qualquer assunto. Serve para que eu tenha consciência de certos posicionamentos meus, e as possibilidades pelas quais esse posicionamento pode transitar e, quem sabe, abrindo minha mente para outros novos posicionamentos, e/ou pensamentos, e/ou idéias. Uma posição de Centro, como eu ensaiei nos outros dois textos, pra mim, é a possibilidade de transitar entre os vários pensamentos políticos existentes hoje, refletindo sobre eles, e selecionando aquilo que me serve - no caso, segundo uma reflexão daquilo que eu tomo por certo ou errado; segundo os meus preceitos e os paradigmas no qual estou inserido.
---
Sem link de referência... como é bom escrever sem ter a obrigação de sair justificando e embasando com idéias alheias...
... mas tem sugestão de link. Só um:
Não se defina (Clarion)
http://www.youtube.com/watch?v=LV41BBZ0_iY
(Tem a parte 2, mas lá vocês encontram o link pra essa...)
Nenhum comentário:
Postar um comentário