Cansei de ser cabeçudo. É legal escrever no meu blog sobre arte, sobre crítica teatral, sobre política... me faz refletir sobre essas coisas. Mas cansei. Vamos falar trivialidades! E a trivialidade de hoje é: a busca pelo frango frito perfeito.
Minha avó, D. Sarah, ela conseguia fazer um frango fito que ficava PERFEITO! Não tinha aquele cheiro horroroso de frango de granja, que aqui no Amazonas chamamos de pitiú (o cheiro da galinha, não a galinha). Enfim. Meu pai usa vinagre, vinho (quando rola um vinho), alho (muito alho, e eu adoro), pimenta do reino, sal, e se rolar, um temperinho Sazon - porque ninguém é de ferro e tempero industrializado é um primor da invenção humana. Isso resolve o cheirinho incomodo do frango, e dá um super sabor. Mas o frango da vó Sarah era sequinho, mesmo frito. Meu pai consegue deixá-lo suculento, apetitoso. Vó Sarah, não. Ela deixava o frango dela crocante, mas sem aquele óleo entranhado na carne.
De uns tempos pra cá, vi que tinha na geladeira uma riqueza de coxas de galinha, e que na preguiça do dia a dia, parar pra temperar, esperar apurar e fazer o frango seria um sacrilégio. Tomei coragem. Estava eu e meu primo em casa, nada pra comer, então fui temperar rapidinho (que nem meu pai ensinou). Lá pelas tantas, enquanto deixei o frango apurando o tempero, lembrei que tinha sobrado um trigo do último empadão que fiz - meu pai chama de "empadão", mas pra "torta de carne", tanto faz. E lembrei de OUTRO frango frito, que pra mim também era perfeito: O frango frito da Vó Neuda (Vó Sarah, mãe de mamãe, falecida. Vó Neuda, mãe de papai, viva - só pra esclarecer). Uma vez, e desde que eu me lembro, nunca mais, a vó Neuda achou de fazer frango empanado. NOSSA. Que era aquilo... O Frango tinha uma crosta tão crocante, tão deliciosa... e a carne não estava rosadinha ou meio crua. Estava PERFEITA. Sem o cheirinho incômodo, sem um sabor estranho da carne, sem o azeite entranhado... era PERFEITO. Daí, eu separei três partes do meu frango temperado para os experimentos.
Uma, eu ia fritar como meu pai frita: espera a carne fritar, depois adiciona o molho do tempero na frigideira, pra, depois de frita, cozinhar no próprio molho. Fica uma delicia, suculenta. Mas com cuidado: se colocar o molho muito cedo, corre o risco do óleo queimar por completo o molho, dando gosto de queimado à carne ainda meio crua. Se colocar tarde demais, a carne vai passar do ponto, sem ter tido tempo suficiente para apurar o molho da frigideira. Só que ao contrário do modo de preparar do papai, fiz o seguinte: preparei numa vasilha o trigo, pimenta do reino, e cheiro verde bem picado. Coloquei mais óleo de soja na frigideira do que o normal, porque eu não queria que o trigo se desfizesse, nem a carne ficasse crua. Empanei as coxinhas, e coloquei pra fitar. Quando a crosta estava dourada, adicionei o molho do tempero em cima.
Resultados e Descobertas: O trigo normalmente se desfaz na frigideira, logo o azeite tem de estar BEM QUENTE, pra fritar rápido e não desfazê-lo. Só que isso gera um problema, a carne não frita bem, e até o ponto dela fritar bem, a crosta queima. Eu ainda estou pensando em como fazer, e aceito dicas. Meu pai falou que farinha de rosca é melhor que o trigo, só que já era tarde demais. Sobre o cheiro-verde no trigo: ficou bom. Não ficou ruim. Mas sabe aquela certeza de que se fosse outra erva, estaria MUITO melhor? Pois é. Assim que eu me sentia enquanto comia. Outro ponto: frango empanado, coma na hora. Depois eu fui percebendo que a carne absorveu muito do azeite, e, quando fomos comer no jantar, o azeite tinha passado da carne para a crosta, deixando ela meio melequenta - fiquei triste.
A segunda parte das coxas, eu tentei ASSAR. FICOU MUITO BOM. Eu coloquei as cochas numa bandeja de metal pincelada com manteiga, e depois, eu fiquei em dúvida se seria suficiente, então pincelei em cima com azeite. Distribui as cochas na bandeja, e coloquei no forno. Eu gostei porque ficou sequinho e a carne não ficou rosadinha ou meio crua. Mas como a manteiga derreteu, formou no fundo da forma um poça de azeite e manteiga que deixou um lado das coxinhas super molhado. Saboroso, fritinho, o terror de qualquer veia entupida (mas ainda assim saboroso). Dispensei o cheiro-verde, mantive a pimenta do reino, e ficou dez. O detalhe é que a crosta ainda não estava aproximado ao da Vó Neuda, pois estava fina de mais, e apesar de crocante, não era tanto.
Enfim, a terceira parte eu fritei normalmente, mas sem empanar. Nessa eu quase me aproximei do frango da Vó Sarah. Ficou sequinho, crocante, sem azeite entranhado. Mas como eu usei o tempero do papai, o gosto evidentemente ficou diferente. Mas textura, muito parecido.
Trivialidade culinária...
... como é bom, né?
Nenhum comentário:
Postar um comentário