quinta-feira, 5 de abril de 2012

"A Cruz e a moça"... e eu também!

Me senti de volta a casa de mãinha (como filhos e netos costumam chamar a minha avó) quando fui assistir "A Cruz e a Moça", encenado por Ana Paula Oliveira, Francis Madson, Dyego Monnzaho, Taciano Soares, Carol Santa Ana e Jonatas Amaral. A catarse foi tão intensa que, não pude parar pra ficar observando detalhes, ou ser descartiano. O que posso dizer é que tudo foi tão bem costurado, cada elemento foi tão bem alinhado na composição, que me restou apenas assistir, e me sentir de novo na casa de mãinha.

Os louros devem ser dados a Ricardo Risuenho pelo espetáculo, que conseguiu me transportar de volta ao Ceará... lembrei-me de imediato dos picotes, da vaca Manguera, dos sinos nos pescoços dos bodes, das cercas vivas cheinhas de cobra cipó - que infortunadamente atracou-se nas canela de Chiquinho e deu-lhes umas lambadas. Lembrei do açude de água quente no fim do dia ensolarado, das pedrinhas bonitas que tinham no fundo do terrero, das árvores de galho seco, da tia Luíza, do Chiquinho (aquele da cobra), que adorava sair atrás de um picote com uma baladeira - era nosso jantar... ui, o sabor do picote, fritinho e só ao sal!

Trazer de volta à minha memória a viagem que eu e mãinha fizemos à sua terra natal foi consequência... A peça me fez rememorar essas lembranças pela matutice das personagens, pelos estereótipos dell'arte que existem também no sertão e que eu vi, estavam lá! Tio Tiago, marido de tia Luiza... Chiquinho com seus planos mirabolantes... Eu assisti um pouquinho de casa. A ambientação amarelada, em figurinos perfeitamente compostos por Luís Ferreira, o cenário de Magli, Divan Fernandes e Risuenho.

Ri, chorei - em parte pelas memórias que me vinham à cabeça -, ginguei com a maravilhosa trilha sonora, senti inveja pela execução magistral da coreografia por parte dos atores... Parabéns à Cia. de Interpretes Independentes, à Cia. Cacos de Teatro (em especial, Francis Madson que estava fabuloso), e a Ricardo Risuenho, a quem desejo muito sucesso e, principalmente, que voltem logo com "A Cruz e a Moça".

Iago Lunière

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